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Nasa encontra 9 planetas habitáveis perto da constelação de Libra

E dois deles são sérios candidatos a "sósia" da Terra - ou seja: planetas com chances reais de abrigar vida.

Por Ana Carolina Leonardi
Atualizado em 11 mar 2024, 10h38 - Publicado em 13 Maio 2016, 20h00

O telescópio espacial Kepler quebrou em maio de 2013. Mas ele já tinha visto tanta coisa que, três anos depois, a NASA ainda está analisando suas informações. E os planetas que o Kepler encontrou nos deixam cada vez mais perto de responder à pergunta clássica: estamos sozinhos no Universo?

O telescópio passou 4 anos vigiando 150.000 estrelas da Via Láctea entre as constelações de Libra e Cisne. O resultado foi um recorde de planetas descobertos – 1.284 novos mundos. Praticamente todos esses planetas são meras bolas de gás, sem superfície – como Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Nove deles entraram para o exclusivíssimo hall de “sósias” da Terra: planetas com características parecidas o suficiente com as nossas para que a vida possa surgir.

Em primeiro lugar, eles têm um tamanho similar ao da Terra. Como não existem planetas gasossos pequenos, isso significa que são planetas rochosos, ou seja, com superfície, como o nosso.

Mas, além da superfície, eles precisam de um ingrediente essencial: a água. A Terra está numa distância do Sol ideal para que exista água líquida se acumulando – nem quente, nem frio demais. Essa posição privilegiada é chamada de “zona habitável”. Com a descoberta desses nove planetas, agora conhecemos 21 mundos rochosos que estão na zona habitável de suas respectivas estrelas.

Desses nove, dois planetas se destacam na busca por mundos que abriguem a vida. O Kepler-1638b tem uma órbita parecida com a da Terra – é também um dos planetas mais próximos do nosso em termos de temperatura do sol. Só que é bem grandão, 87% maior que a Terra (ou seja, uma viagem São Paulo -Nova York lá levaria 19 horas, contra as 10 que o voo dura aqui – sim, sabemos que provavelmente não há uma SP e uma NY no Kepler-1638b, mas você entendeu a brincadeira).

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Bom, o outro (Kepler-1229b) é 40% maior – em termos planetários, quase do mesmo tamanho da Terra. Só que o o sol ali é bastante diferente. O planeta gira em torno de uma anã vermelha, bem menor e mais fria que a nossa estrela.

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Dá para ver que ainda estamos longe de encontrar um planeta gêmeo da Terra. Mas esses dois parecem promissores, porque possuem mais ou menos as mesmas características de planetas descobertos em 2014, o Kepler-452b e o Kepler-186f, mundos em que a NASA tem apostado bastante na procura por indícios de vida.

A NASA deve continuar a catalogar as descobertas do Kepler até outubro de 2017. Encontrar uma quantidade tão gigantesca de planetas seria impossível alguns anos atrás. Isso porque, antigamente, a NASA analisava um a um os candidatos à planetas, usando telescópios terrestres para confirmar os achados do Kepler.

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Um novo método estatístico reduziu muito o tempo de confirmação. Primeiro, é preciso entender como o Kepler detecta objetos espaciais. O equipamento acompanha a luz que é emitida por uma estrela. Se um objeto orbita em volta daquela estrela, a sua presença obscurece aquela luz – e o Kepler percebe que há algo ali. Mas como saber se é um planeta ou algum outro objeto ofuscante menos nobre, como poeira interestelar?

Análises de computador descobriram que existe um padrão na forma como planetas afetam a luz das suas estrelas. E que esse padrão é diferente dos impostores. Comparando essas trajetórias com a dos “candidatos a mundo”, aqueles que têm pelo menos 99% de compatibilidade foram considerados planetas confirmados.

Os próximos planos da NASA são analisar, usando o telescópio TESS, as atmosferas de planetas mais próximos da Terra, para conseguir mais detalhes sobre as suas condições de vida. O lançamento acontece em 2017 e a missão vai ser guiada pelas descobertas do Kepler.

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