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Nojos, despojos e outros arrojos

Por 9 jan 2011, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h47
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Emiliano Urbim

Já ouvi dizer que quem sabe como se faz salsicha não a come mais. O que há de tão nojento?
Sueanne Amorim, São José do Rio Preto, SP

Dizem o mesmo sobre jornalismo. Felizmente, hoje as notícias e salsichas são produzidas em linhas automatizadas, seguindo padrões de higiene e praticamente sem contato humano. Ok, talvez você ache estranho que a salsicha contenha itens como bochecha de boi ou cartilagem de frango, e surpreendente que essa carne de 4ª seja só metade do produto, sendo o resto sal, amido, temperos e conservantes. Talvez considere exótico que, como os índios, ela seja maquiada com urucum – dizem que só vende se estiver bem vermelha. Agora, isso você vai achar nojento: salsichas vêm em embalagens de 10; pães de hot dog, de 6 em 6. Só comprando 3 de salsicha e 5 de pão pra emparelhar! Não é repugnante?

É possível que uma pessoa fique inteiramente grisalha num brevíssimo intervalo de tempo? Há evidências disso em músicas, seriados de TV e quadrinhos etc.
Alfredo Silva, São Paulo, SP

Com as “evidências” citadas, a gente não levava fé. Mas, sim, é possível – ainda que de forma indireta. “Um fio preto não amanhece branco”, explica a presidenta da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Maria de Fátima Melo Borges. Acontece que, em alguns casos de uma doença ligada ao estresse e chamada alopecia areata, caem os cabelos escuros e ficam os brancos. A sensação é de que a pessoa ficou grisalha, mas na verdade ela sofreu uma calvície adepta do apartheid.

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Esta vem de um clássico do rap do Rio: “Qual a diferença entre o charme o funk?” Não vale dizer que “um anda bonito, o outro elegante”.
Eliezer Souza, Nilópolis, RJ

Conforme salientou Eliezer, o verso é rima, mas não solução. O que internalizar dos conceitos de “bonito” e “elegante” no contexto periférico-fluminense noventista? “A diferença está no estilo de andar, de se vestir e de curtir. O charmeiro gosta de social, roupas mais fechadas, tipo brim. E é mais calmo: puxa para o hip-hop romântico. É o nosso rhythm and blues”, enuncia MC Dollores, coautor do Rap da Diferença (o outro, MC Marquinhos, foi assassinado em 2006). Sem embargo, o funk notabiliza-se por uma weltanshauung, ou visão de mundo, mais agressiva, espelhada no figurino despojado, letras ousadas e coreografias desafiadoras. Talvez daí depreenda-se o ostracismo do charme durante o reinado soberano do funk. C.q.d., dj.

O futebol do Espírito Santo não tem time porque não tem torcida ou não tem torcida porque não tem time?
Renato Patriarca, Vitória , ES

“O estado não tem time nem torcida”, diz Gustavo Vieira, diretor-executivo da Federação de Futebol do Estado do Espírito Santo – repare nas aspas, sinais de pontuação indicando que a frase é dele. O estado não tem representantes nas séries A, B ou C, contando só com uma vaga fixa na série D, a 4ª divisão nacional, para o vencedor do Capixabão – competição com média de 1,5 mil torcedores por jogo. O Paradoxo do Tostines que envolve o futebol capixaba pode ter origem no meio do século 20, quando o poder público investiu em grandes estádios pelo Brasil: o Rio ganhou o Maracanã, Belo Horizonte, o Mineirão, Campina Grande, o Amigão… e o Espírito Santo ficou de fora. Seu maior estádio é o Engenheiro Alencar de Araripe, em Cariacica, para somente 13 mil torcedores. Outro golpe veio da TV: a exibição de jogos do Rio converteu gerações. “Com certeza, no Espírito Santo, o Flamengo tem a maior torcida”, diz Vieira. A boa notícia é que uma TV local finalmente passou a transmitir o campeonato regional em 2009 – mas só a partir das semifinais.

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, um jogador comemorando, e capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuandoTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um ícone de árvore branca no canto inferior.
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