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Nosso Universo é o mais adequado para a existência de vida inteligente?

Não necessariamente. Um novo estudo, inspirado na lendária equação de Drake, analisa os parâmetros do nosso cosmos em relação a outros – hipotéticos e mais pródigos à presença de seres pensantes.

Por Bruno Vaiano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
17 nov 2024, 16h00

A equação abaixo foi rabiscada pelo astrônomo Frank Drake em 1961 (reza a lenda, num boteco), e depois apresentada em uma reunião com 11 cientistas interessados no tema da vida extraterrestre. Ela serve, pelo menos hipoteticamente, para calcular quantas civilizações inteligentes há na Via Láctea – o valor N.

A Origem da Vida na Terra

“R*” é a taxa anual de produção de estrelas na Via Láctea.
São 7 por ano, segundo um estudo de 2006.

“fp” é fração de estrelas que têm planetas.
Este número é comprovadamente próximo de 100%: quase toda estrela tem um planeta. Portanto, fp = 1.

“ne” é fração de estrelas com planetas habitáveis.
A estimativa mais recente é 40%. Logo, ne = 0,4.

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“fl” é a fração de planetas habitáveis com vida.
A reunião de 1961 estimou que, onde quer que a vida possa surgir, ela vai surgir: 100%. Portanto, 1.

“fi” é a fração de planetas com vida inteligente.
Vida inteligente é um negócio raro. Vamos supor que só surja em 0,1% dos casos – uma previsão ligeiramente otimista. O biólogo evolutivo Ernst Mayr lembra que já existiram 50 bilhões de espécies na Terra, e só uma (nós) é inteligente.

“fc” é a fração de planetas com vida inteligente que alcançam o estágio tecnológico necessário para se comunicar com ondas eletromagnéticas.
O chute do Drake foi 20%. Mas aqui já estamos entrando no território da ficção científica.

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“L” é o tempo de vida de uma civilização capaz de se comunicar por ondas de rádio.
Pura especulação. Vale qualquer número.

Essa solução proposta pela Super dá 56 civilizações como resultado. Ou seja: temos companhia!

Agora, a equação de Drake está de volta, mas com updates. Um grupo de astrofísicos liderados por Daniele Sorini da Universidade Durham propôs considerar uma nova variável: a taxa de expansão do Universo e a maneira como essa taxa interfere na formação de estrelas com planetas aptos à abrigar vida. O artigo está publicado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

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Sabe-se que o tecido do cosmos está se esticando em ritmo acelerado, e que isso é oferecimento de uma força misteriosa conhecida como energia escura. Ela equivale a dois terços do conteúdo total de massa e energia do Universo e age como uma espécie de anti-gravidade, que separa as coisas em vez de uni-las.

Se partirmos da hipótese de que o nosso Universo poderia ser de qualquer outro jeito, então é possível imaginar cosmos com diferentes densidades de energia escura. Alguns deles teriam condições gravitacionais ótimas para a formação de estrelas e planetas, outros teriam a energia escura forte ou fraca demais para permitir esse desfecho.

Partindo desse leque de cosmos possíveis, dá para estabelecer qual é a quantidade de energia escura ideal para que as nuvens de gás e poeira cósmica que flutuam por aí se tornem sistemas estelares. E assim, determinar se o Universo em que vivemos é o mais adequado para esse fim ou se ele poderia ser ainda mais bem-ajustado para viabilizar a emergência de bactérias, humanos e afins.

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Conclusão? Dava para ser melhor.

“Os parâmetros que governam nosso Universo, incluindo a densidade de energia escura, poderiam explicar nossa existência”, disse Sorini em declaração à imprensa. “Surpreendente, porém, nós descobrimos que mesmo uma quantidade significativamente maior de densidade de energia escura ainda seria compatível com a vida, de modo que talvez não vivamos no mais provável dos universos.”

Em suma: mesmo em um cosmos assaz improvável, nossa espécie deu o ar da graça. É claro que nem a equação de Drake nem esse novo método dão resultados necessariamente realistas. Não temos como comprovar essas conclusões por meio de observações empíricas, o que é necessário em qualquer área da ciência.

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Elas são mais uma muleta filosófica. Um jeito de nos ajudar a pensar sobre nossa própria existência, e quanto ela é (ou não) improvável.

 

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