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O que é feito com as baterias usadas de celular?

São metais tóxicos, que têm efeito cumulativo e podem provocar câncer¿, diz Denise Espinosa, professora do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da USP.

Por 31 ago 2007, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h46
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Texto Raphael Hakime

Quase nada – cerca de 1% – vai para a reciclagem, graças aos poucos consumidores que depositam as baterias usadas nos escassos postos de coleta apropriados. “Cerca de 180 milhões de baterias de celular são descartadas todos os anos no Brasil”, diz Roberto Ziccardi, da ong Antena Verde. O problema de tudo isso ir parar no lixo comum é a contaminação por metais pesados. A composição química das baterias varia muito, mas a mais nociva é a feita de níquel e cádmio (Ni-Cd). “São metais tóxicos, que têm efeito cumulativo e podem provocar câncer”, diz Denise Espinosa, professora do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da USP.

Essas baterias, quando em contato com o solo, poluem os lençóis freáticos, cuja água contaminada pode ser usada na irrigação de lavouras e, assim, ser ingerida por tabela por quem come os vegetais. Por isso, a produção e a comercialização das baterias de Ni-Cd foram restringidas. Assim, a maior parte das baterias de celular não é tóxica – como as feitas de íons de lítio e NiMH (hidreto metálico de níquel), que hoje equipam a maior parte dos aparelhos.

Na reciclagem, as baterias Ni-Cd são trituradas e aquecidas em um forno a 900 0C. O cádmio é recuperado na forma de vapor e aproveitado na confecção de novas baterias de celular. Já o níquel é reutilizado na produção de aço inoxidável.

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