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Outras dimensões

Sérgio Gwercman

Como você sabe que aquilo que chama de azul é o mesmo que todos chamam de azul? Que as sensações físicas que sente – dor, prazer – são iguais às das outras pessoas? São perguntas de filósofo bêbado no bar, eu sei. Mas o que eu quero saber é o seguinte: como você faz para ter certeza de que é normal? Pegue, por exemplo, a história da neurocientista Susan Barry, que entrevistamos para o SuperPapo deste mês. Ela passou boa parte da vida enxergando em duas dimensões. Olhava para as coisas e não via volumes ou profundidades. Era como se o mundo dela fosse todo desenhado em folhas de papel. Susan acreditou que era assim que pessoas normais enxergavam até entrar na universidade e, numa aula sobre visão, descobrir que vivia numa realidade que não era a da maioria.

E aí entra minha deixa para falar sobre nossa reportagem de capa. Há uma bela dose de liberalidade científica em juntar Susan e um parapsicólogo na mesmo frase. Mas permita-me a provocação: como podemos compreender o que se passa no cérebro humano, seus limites e suas limitações? A SUPER tem uma certa fixação em buscar respostas para essa questão – talvez porque aí esteja uma das chaves da existência humana, talvez porque essa seja uma das áreas da ciência que mais evoluem e nos abastecem com novidades (e a matéria escrita por Gisela Blanco e ilustrada por Carlo Giovani tem muitas delas). Aí está um dos mais instigantes debates: o que é normal para o nosso corpo? Pois tem gente, e é gente séria, afirmando que a maioria de nós vive numa espécie de mundo em duas dimensões – e que alguns poucos privilegiados podem experimentá-lo além disso. Verdade ou mentira? Não há resposta definitiva. Mas, como diz a própria Susan, “você não pode presumir que vê o mundo do mesmo jeito que os outros”.

Um grande abraço.