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Paradoxo solar é explicado por “mangue magnético”

No Sol, quanto mais longe da superfície, mais quente fica. Entenda o motivo

Na Terra, calor é coisa simples. Você acende uma fogueira e, quanto mais perto dela, mais quente fica. Mas, com o Sol, é exatamente o contrário: a parte mais quente da estrela é sua alta atmosfera, a coroa, que é mais de mil de vezes mais quente que a superfície.

A superfície solar tem uma temperatura de aproximadamente 5500 graus Celsius. Suficiente para vaporizar metais, mas parece a Antártica se comparada à parte mais distante da atmosfera solar, onde a temperatura pode ultrapassar 10 milhões de graus.

Esse mistério causava perplexidade aos cientistas há décadas. Um grupo de astrofísicos franceses acaba de apresentar uma nova teoria, que talvez seja a resposta para a charada. Em suas palavras, um “manguezal magnético” explica o aparente paradoxo.

Capitaneados pelo astrofísico Tahar Amari, da École Polytechnique em Palaiseau Cedex, os cientistas se basearam em simulações de computador para criar um modelo da transmissão de energia pela atmosfera solar. Nele, o constante movimento dos gases na superfície solar causa um emaranhado caótico de campos magnéticos. Acumulada dessa causando o aquecimento. Dessa forma, a imensa energia da estrela passa batida pela parte baixa da atmosfera – o que explica por que ela é mais fria que as camadas superiores.

Amari desenhou para entender: o “mangue” são os filamentos verdes. As raízes, a parte laranja, o emaranhado de campos magnéticos que causa essas emissões.

Pra dizer a verdade, o mangue da ilustração mais parece um gramado, mas vamos perdoar Amari, que é astrofísico, não botânico.

 

Referência:

Small-scale dynamo magnetism as the driver for heating the solar atmosphere, Tahar Amar, Jean-François Luciani & Jean-Jacques Aly, Nature.