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Patrões e operários, cada macaco no seu galho

Quando o assunto é a inteligência dos macacos, o personagem quase sempre é o chimpanzé. Desta vez, porém, achou-se um traço de genialidade no macaco-prego das matas brasileiras. Encontrado em praticamente toda a América Central e do Sul, esse esperto parente do Homo sapiens sabe até contratar um trabalho, pagando depois o salário devido. Descobriu-se que, se um deles quer uma fruta e precisa de ajuda – como subir nas costas do outro – para apanhá-la, chama um companheiro e depois, em pagamento, dá um pedaço do petisco. “Não é simples troca de favores”, explicou à SUPER o primatologista Frans de Waal, da Universidade Yerkes, nos Estados Unidos, responsável pela pesquisa. “O assistente faz o serviço mesmo quando, por algum motivo, não puder receber na hora. Ele sabe que o retorno virá mais tarde.” Essa demora em ter o retorno, diz o cientista, demonstra que o comportamento dos macacos-prego é mais complexo do que uma cooperação passageira. “Pode-se enxergar até um traço de responsabilidade nas relações entre eles”, acrescenta.

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Algo mais

O representante mais famoso da família dos macacos-prego trabalhou no filme Caçadores da Arca Perdida. Fingia-se de amigo do herói Indiana Jones, mas na verdade era espião dos nazistas. Danado.

Classificação: cebus apella

• Macacos-prego formam bandos de até vinte indivíduos, chefiados por um macho dominante.

• Misturam quatro sons básicos em uma curiosa linguagem de gritos que usam para afastar predadores ou combinar travessuras entre si.

• Comem frutos, folhas, ovos ou insetos. Têm 60 centímetros de altura, pesam cerca de 3 quilos e chegam a 40 anos de idade.