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Periquitos ameaçam a população de morcegos da Europa

Mas população é contra a ideia de acabar com as aves: ela simpatiza com os bichinhos

O morcego-arborícola-gigante é uma espécie típica da Europa, mas que corre risco de extinção. Há anos, esse mamífero encontrou abrigo no interior de árvores de parques pela Espanha, como o Parque María Luisa, em Sevilha. Mas, agora, está sendo ameaçado por um predador implacável: o periquito.

Essa história se inicia há alguns anos, quando os morcegos começaram a estranhamente aparecer mortos. Os biólogos suspeitaram que a morte fosse por algum tipo de ataque, pois os bichinhos estavam cheios de buracos nas asas. Agora, cientistas espanhóis dizem ter descoberto os culpados: os belos periquitos-de-colar, uma espécie invasora que vive nas mesmas árvores que os morcegos.

Esses periquitos estão bem longe de casa: seu habitat natural fica na Ásia e África, onde eles são amigáveis e sociáveis. Segundo a bióloga Martina Carrete, autora do estudo, esses pássaros apareceram pela primeira vez no parque espanhol depois de 10 deles serem confiscados de um petshop e liberados lá, nos anos 1990. A espécie proliferou rápido, e agora está empurrando os morcegos para fora de seus buracos – os dois precisam desses lugares para a reprodução.

O número de árvores em que os morcegos vivem caiu 81% desde que os pesquisadores começaram a acompanhar, com os periquitos tomando conta de suas antigas casas. Os cientistas estimam que a população de morcegos tenha caido pela metade desde o início do trabalho. Restam apenas 250 deles.

Os cientistas ajudaram o governo da cidade a elaborar um plano de erradicação dos periquitos, mas, no último momento, as autoridades cancelaram o projeto — pois essas aves são muito populares entre os cidadãos. Os moradores argumentam que deve existir outro caminho além de matar os bichinhos.

Mas os pesquisadores discordam. Eles afirmaram que, se nada for feito, os morcegos do parque — uma das maiores colônias de criação da espécie na Europa — provavelmente serão dizimados em um futuro próximo. Além disso, esse é mais um estudo que oferece uma visão sobre as consequências da chegada de um organismo exótico, prejudicando espécies nativas.