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Pessoas com seis dedos em cada mão possuem habilidades motoras melhores

Os polidáctilos são capazes de realizar com apenas uma mão algumas atividades que normalmente necessitariam de duas.

O polegar opositor é uma das maiores vantagens evolutivas do ser humano. Ele nos permite manusear objetos e realizar atividades que exigem coordenação motora fina como nenhuma outra espécie. Mas e pessoas que possuem um ou mais dedos “extras”?

Pesquisadores da Universidade de Friburgo, na Alemanha, resolveram investigar as habilidades motoras dos portadores de polidactilia. Eles observaram que a condição aumenta consideravelmente a aptidão em atividades realizadas com as mãos. A pesquisa foi publicada na Nature Communications

Essa vantagem já foi observada nos ursos pandas. A espécie possui cinco dedos e um osso que funciona como um sexto dedo em cada mão. Ele permite que o animal segure o alimento com mais força, facilitando a obtenção de comida. Consequentemente, as fêmeas eram atraídas pelos ursos que tinham esse falso polegar mais desenvolvido. Eles poderiam alimentar melhor os filhotes e assim garantiriam a sobrevivência da família.

Não percebemos esse tipo de preferência em humanos, mas isso não significa que a polidactilia seja prejudicial. Muito pelo contrário. Os pesquisadores não observaram nenhuma desvantagem em habilidade motora quando comparada a de pessoas com cinco dedos.

Na verdade, essas habilidades eram ampliadas. Os polidáctilos são capazes de realizar com apenas uma mão algumas atividades que normalmente necessitariam de duas.

 (UNIVERSITY OF FREIBURG/Reprodução)

O estudo focou em pessoas que possuem dedos a mais nas mãos. O intuito foi analisar as áreas do cérebro responsáveis pelas atividades motoras dos dedos extras. Os cientistas descobriram que, assim como cada um dos cinco dedos tradicionais atua de forma independente, o sexto dedo também tem capacidade de se mover de forma separada e autônoma – o que exige não só músculos extras, específicos para movimentá-lo, mas também conexões cerebrais capazes de coordenar este movimento. Assim, o indivíduo pode controlar o dedo extra sozinho ou em conjunto com o resto da mão.

A atividade cerebral dos participantes foi monitorada usando ressonância magnética enquanto eles realizavam algumas atividades. Ter um órgão extra significa que o seu cérebro tem um “grau” a mais de liberdade para controlá-lo. Mesmo assim, de acordo com a pesquisa, a massa cinzenta dos polidáctilos não sacrifica nenhuma outra função para controlar os dedos adicionais. Existem funções neurais específicas para o sexto dedo que permitem as habilidades motoras complementares.

O estudo pode ajudar no desenvolvimento de membros artificiais que expandem as atividades motoras de pessoas comuns. Por outro lado, os cientistas lembram que os indivíduos que possuem polidactilia já nasceram dessa forma. Eles aprenderam a lidar com a habilidade extra desde o nascimento. É pouco provável que um adulto se relacione dessa mesma forma com um novo membro implantado posteriormente.

Ao que tudo indica, não basta fixar dois novos membros no corpo e agir como o Quatro Braços do Ben 10 — é preciso nascer com eles.