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Pessoas reconhecem mais nomes do que rostos

A falsa sensação que reconhecemos mais rostos do que nomes é porque os colocamos em patamares diferentes da memória

Está no senso comum que somos terríveis para lembrar nomes. As festas de Natal, por exemplo, comprovam isso: todo ano acontece a experiência constrangedora de esquecer o nome daquela prima de segundo grau. E aí sempre vem a desculpa “sou péssimo com nomes”.

Mas cientistas da Universidade de York, na Inglaterra, afirmam que essa impressão é falsa: segundo eles, lembramos muito mais de nomes do que de rostos. O problema está em confundirmos duas coisas: reconhecimento e recordação.Segundo os pesquisadores, os seres humanos são, por natureza, melhores em reconhecer do que em lembrar.

Os psicólogos fazem uma distinção entre esses dois tipos de recuperação da memória. Segundo eles, o reconhecimento refere-se à nossa simples capacidade de tratar um evento ou informação como sendo familiar, enquanto a recordação exige a recuperação de detalhes específicos. Isso mostra porque é fácil esquecer o nome daquela prima de segundo grau: como você já a viu em várias festas de Natal, sua mente a reconhece como familiar. Mas o nome dela, algo que exige mais da sua memória, é mais difícil recordar.

Agora, e se rostos e nomes fossem colocados no mesmo patamar de memória? Foi isso que os cientistas fizeram: projetaram um “teste justo”, colocando demandas iguais na capacidade dos participantes de reconhecer rostos e nomes.

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Para o estudo, os participantes tiveram um período de tempo específico para memorizar rostos e nomes desconhecidos. Num segundo momento, os nomes e os rostos apareciam novamente – e os voluntários tinham de dizer quais já tinham visto.

Depois disso, os pesquisadores repetiram o teste, mas desta vez complicando um pouco: eles mostraram aos participantes diferentes imagens dos mesmas rostos e os nomes em diferentes tipos de letra. Isso, segundo os cientistas, era para tornar o teste o mais realista possível, já que os rostos reais aparecem de formas relativamente diferentes (por conta de ângulos, iluminação e penteado, por exemplo) cada vez que você os vê.

Resultado: os participantes reconheceram 73% dos rostos e 85% dos nomes. Quando o experimento foi dificultado, a diferença foi maior: as pessoas reconheceram 64% dos rostos e 83% dos nomes.

“Nosso estudo sugere que, enquanto muitas pessoas podem ser ruins em lembrar nomes, elas provavelmente serão ainda piores em lembrar rostos. Isso irá surpreender muitas pessoas”, diz Rob Jenkins, co-autor do estudo. “Nossas experiências de vida com nomes e rostos nos enganaram sobre como nossas mentes funcionam, mas se julgarmos os dois nos mesmos patamares de memória, começamos a ver uma imagem diferente.”