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Planeta em curto-circuito

Angela Pimenta

Pode parecer maluquice, mas você já imaginou o que aconteceria se os pólos Sul e Norte mudassem de lugar? Nada de bom, garantem os cientistas que têm levado essa ameaça a sério, prevendo que tal fenômeno aconteça por volta do ano de 3000.

De acordo com eles, nos últimos 150 anos, o campo magnético se enfraqueceu 15%. Se isso continuar, os geólogos Paul Roberts e Gary Glatzmaier, da Universidade da Califórnia, prevêem conseqüências nefastas para a Terra. A primeira seria a reversão polar, com a mudança do Pólo Norte em direção ao Sul, e até mesmo o surgimento de novos pólos. A segunda, mais grave, seria o rompimento da camada de ozônio que protege o planeta da radiação cósmica.

Não seria a primeira vez que isso aconteceria. Ao que tudo indica, afirmam os geólogos, a reversão polar seria um fenômeno cíclico e inevitável. Há 16 milhões de anos, o pólo norte se deslocava a uma média de seis graus por dia. Se houvesse bússolas na época, em uma semana elas apontariam a Cidade do México no lugar do Pólo Norte. A última reversão teria ocorrido há 780 mil anos.

Ao contrário do que parece, o campo magnético não é gerado por um ímã imóvel no centro da Terra. Ele é resultado da integração de três fatores instáveis: os movimentos do manto – uma camada fluida de metais subterrâneos –, a liberação de calor na superfície do planeta e, finalmente, a órbita da Terra.

“É possível que a próxima reversão esteja atrasada’’, diz Roberts . “Ou pode ser que o campo magnético volte a se fortalecer . Ninguém pode prever o que vai acontecer.” Mas nada de pânico. “Mesmo que a próxima reversão esteja a caminho, seus efeitos só começarão a ser sentidos daqui a um milênio,”.

O impacto da inversão magnética

Algumas dasconseqüênciasdo fenômeno

Planeta

Uma mudança nos pólos geraria uma intensa tempestade eletromagnética capaz de destruir a camada de ozônio que protege a Terra

Seres humanos

Expostos a uma dose cavalar de radiação, teríamos que nos vestir da cabeça aos pés e usar óculos escuros sempre que saíssemos de casa para evitar câncer de pele e riscos de mutação genética

Aviões e satélites

Todos os atlas e bússolas ficariam obsoletos, desorientando aviões, navios e satélites

Animais

Pássaros e tartarugas-marinhas têm sensores que indicam o caminho a tomar em suas migrações. Eles ficariam desnorteados, correndo o risco de desaparecer

Turismo

Hoje exclusivas dos pólos, as auroras boreais poderiam se tornar um cartão postal em Manaus ou no Rio de Janeiro

Fontes: Paul Roberts, Gary Glatzmaier, NOVA/PBS