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Primeiro dia sem gelo no Oceano Ártico pode acontecer em três anos

Estudo analisou milhares de modelos climáticos e, nos piores cenários, o Oceano Ártico passará um dia todo sem gelo algum ainda nesta década.

Por Manuela Mourão
8 dez 2024, 12h00

O primeiro dia completo sem gelo nenhum no Oceano Ártico pode estar bem mais próximo do que o esperado. A previsão é que esse trágico dia possa acontecer a partir do verão de 2027, graças ao aquecimento global.

De acordo com a National Snow and Data Center – uma instituição da Universidade do Colorado e ligada à Nasa que acompanha dados de satélite do território coberto pelo gelo ártico –, a área total de gelo marinho no Oceano Ártico em 2024 é de apenas 9,11 milhões de quilômetros quadrados – o terceiro pior valor na série histórica de 46 anos. Nos últimos 10 anos, o gelo vem derretendo 12% mais rápido

Um novo estudo publicado na revista Nature Communications prevê que o primeiro dia sem gelo algum nos mares do norte pode acontecer antes de 2030. A pesquisa usou 11 modelos climáticos, rodando 366 simulações feitas por eles.

Quando analisaram os resultados, os cientistas constataram que a maioria das simulações previa que o primeiro dia sem gelo aconteceria entre nove e 20 anos depois de 2023 – mesmo já considerando mudanças no nível de emissões de gases de efeito estufa. Mas, em nove dos casos – os mais pessimistas  –, esse dia aconteceria de três a seis anos após o ano passado. Ou seja: no pior dos casos, o degelo total pode rolar já em 2027.

O que isso significa? 

Quando pensamos no Ártico, uma imagem automática é a dos ursos polares que lá vivem. Mas o local vai muito além desses animais. O ecossistema é lar de cerca de 21 mil espécies, incluindo mamíferos, aves, peixes, invertebrados, plantas, fungos e espécies de micróbios altamente adaptados ao frio – e todos seriam extremamente afetados com o degelo. 

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Pode parecer um exagero se preocupar com um único dia sem gelo, mas Céline Heuzé, professora sênior de Climatologia na Universidade de Gotemburgo, destaca que todo o ecossistema da região sobrevive por causa do gelo marinho, e só 24 horas sem ele pode desestabilizar a teia.

“Há algas crescendo na parte inferior [do gelo], e vários seres, desde ovos de plâncton até bacalhaus polares, usa a água congelada para se esconder. E, é claro, ursos polares o utilizam como plataforma de caça”, explica.

Além disso, as correntes marítimas são extremamente importantes para a regulação dos climas globais. Tanto as temperaturas dos oceanos quanto a dos ares dependem do congelamento do norte. Desestabilizar esse sistema causaria problemas em efeito dominó.

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Outro problema que se intensificaria seria o resultado do efeito albedo. Ele diz respeito à quantidade de luz solar – ou radiação – é refletida por uma superfície, nesse caso, quanta luz solar a Terra devolve para o espaço. Quanto mais clara a superfície, melhor ela deve refletir a luz. 

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Com o derretimento do gelo, a luz entraria em contato com águas escuras que absorveriam essa radiação e esquentariam mais ainda o globo. Pense no planeta como um grande carro preto em um dia de sol – seria insuportável sair em uma viagem. 

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Ou seja, o Ártico, que antes funcionava como uma geladeira, agora está se aproximando de uma câmara de bronzeamento artificial, aquecendo quatro vezes mais rápido que o resto do mundo. 

Em comunicado, Alexandra Jahn, climatologista da Universidade de Colorado Boulder, explicou que o primeiro dia em que o degelo total acontecer não irá causar danos imediatos. Mas esse fatídico dia marcaria o início de um processo de diversas mudanças imutáveis. 

“Mostrará que alteramos fundamentalmente uma das características que definem o ambiente natural do Oceano Ártico – o fato de ser coberto por gelo marinho e neve durante todo o ano – através das emissões de gases do efeito de estufa”, disse. A cientista relembrou, porém, que qualquer diminuição de emissão ajudaria a diminuir o choque. Não é um jogo perdido.

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