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Projeto de estudantes brasileiros decola para a Estação Espacial Internacional

Os alunos de Santa Catarina fizeram um filtro de água que funciona em gravidade zero — e ele já foi testado no espaço.

A Estação Espacial Internacional acaba de receber mais um pouco do Brasil. Mais especificamente, de Xanxerê, um pequeno município de 50 mil habitantes no interior de Santa Catarina. Quatro alunos do segundo ano do ensino médio criaram um filtro de água que pode ser usado em qualquer lugar — até no espaço.

O segredo do filtro é o método de capilaridade. Aqui na Terra, os filtros usados em casa precisam da gravidade para funcionar. Ela empurra a água para a filtragem e o líquido sai pela torneira. Como não há essa vantagem no espaço sideral, seria necessário um mecanismo diferente que funcionasse lá em cima — e foi isso que os estudantes criaram.

O que acontece é o seguinte: quando a água está em um recipiente, suas moléculas interagem com as paredes do sólido, que “puxa” elas para perto em um processo chamado de adesão. Ao mesmo tempo, como as moléculas de água também estão ligadas entre si, elas “puxam” as que estão mais distantes por coesão.

Caso o recipiente em questão seja um tubo muito fino (chamado capilar), a água pode se movimentar usando essa força, sem depender da gravidade. É assim que as raízes transportam a seiva até o topo das árvores — e é também como o filtro funciona.

O projeto decolou no dia 24 de julho a bordo do foguete de carga Falcon 9, da SpaceX. Ele já foi testado na Estação Espacial Internacional e agora se prepara para voltar às mãos dos alunos. 

Os estudantes — Isabela Battistella, Renata Müller, Ricardo Cenci e Roberta Debortoli — venceram o Garatéa-ISS, uma competição ligada ao Student Spaceflight Experiments Program, dos Estados Unidos, e patrocinada pelo Instituto TIM. O programa seleciona experimentos de alunos de 10 a 17 anos e envia os melhores ao espaço. Para chegar até lá, os jovens foram até Virgínia (EUA) para apresentar o projeto  “Capilaridade vs Gravidade no processo de filtração” na Conferência Nacional do Programa de Experimentos Espaciais de Estudantes.

Segundo a estudante Roberta Debortoli, a iniciativa partiu totalmente dos alunos. Foram eles que apresentaram o projeto ao Instituto Federal de Santa Catarina, onde estudam. Logo em seguida iniciaram os estudos com o material sobre a Estação Espacial fornecido pela Missão Garatéa, criadora do concurso. O projeto procura incentivar a presença brasileira na atividade econômica espacial.

E o programa não para por aí: ainda dá tempo de se inscrever na próxima edição do concurso. As escolas têm até o final do ano para desenvolver e apresentar os projetos dos alunos, que então são escolhidos pela equipe americana. O melhor deles será enviado ao espaço pela NASA em 2020.

O concurso vale para todas as escolas, tanto públicas como privadas. Para quem quiser ver sua ideia viajando pro espaço, o prazo vai até o dia 11 de agosto e as inscrições podem ser feitas aqui.