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Quando os sapos viram príncipes

As rãs e outros anfíbios, sem querer, deram o alarme sobre o buraco na camada de ozônio

Temos de agradecer aos batráquios a descoberta do buraco na camada de ozônio. A história começou na década de 50, quando os biólogos, percebendo uma diminuição mundial no número de anfíbios – sapos, rãs e salamandras –, levantaram a hipótese de que a culpa poderia ser dos raios ultravioleta vindos do Sol. Normalmente eles são bloqueados pelo ozônio do ar, mas essa substância poderia estar ficando rarefeita, raciocinaram os cientistas. Então, a radiação ultravioleta teria efeito fatal sobre os girinos. Hoje está claro que essa não é a única causa do extermínio dos bichos saltadores. Mas a hipótese batraquicida chamou a atenção de outros pesquisadores para o problema do ozônio. Assim, em 1985, o problema dos sapos serviu para dar credibilidade ao primeiro estudo mostrando que de fato faltava ozônio na atmosfera, mais precisamente sobre a Antártida. A Nasa, então, resolveu checar, e confirmou o fato. O resto você sabe: ninguém mais compra um tubo de spray sem o selo que garante a ausência do gás CFC no produto. Atualmente, está em curso uma campanha internacional para esclarecer de vez o desaparecimento dos anfíbios. Eles estão mesmo sumindo. Acredita-se que uma centena de espécies, das quase 5 000 conhecidas, já deixaram de existir. Tentar brecar esse processo é o mínimo que a ciência pode fazer para agradecer aos nossos benfeitores feiosos.