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Quanto comia um dinossauro?

A mordida de um tiranossauro seria capaz de abocanhar meia vaca. O estômago de um saurópode, de digerir 1.250 cabeças de alface.

A paleontologia avançou tanto nas últimas décadas para reconstruir a vida e os hábitos dessas incríveis criaturas extintas que às vezes dá a impressão de que há resposta para tudo. Entretanto, uma olhada mais atenta revela que, apesar dos avanços, o que mais há entre os estudiosos são dúvidas. Exemplo prático: tem como saber quanto comiam os dinossauros?

Parece uma pergunta fácil. Quanto maior o bicho, mais ele devia comer, certo? Verdade, mas especulações sobre o tamanho podem ser mais complicadas do que parece. Quase toda informação que temos vem de ossos fossilizados, mas não sabemos exatamente quanto tecido mole tinha cada um dos dinossauros, e, por consequência, é difícil afirmar com precisão que peso eles tinham.

Além disso, precisamos lembrar que não é só o tamanho que dita quanto alimento é preciso para manter o organismo. Também é importante saber sobre o metabolismo dessas criaturas. Nesse caso, as informações são ainda mais escassas. O que os cientistas podem fazer é calibrar seu chute com base em seres que estão vivos hoje e que dariam uma referência de quanta energia eles precisavam para viver, e quanto tinham de comer para obtê-la.

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Uma vez feitas essas ressalvas, alguns cientistas se propuseram a fazer inferências. Sem dúvida, os que mais precisavam de comida eram os saurópodes – o grupo de herbívoros gigantes, na linha do diplodoco.

Estudos feitos pelo palentólogo P. Martin Sander, da Universidade de Bonn, sugerem que um saurópode médio devia requerer cerca de 100 mil calorias por dia. E só comendo vegetais. Não é à toa que, com toda probabilidade, essas criaturas passavam o dia inteiro comendo. Estamos falando de meia tonelada de folhas. Todo santo dia.

Isso na média. Imagine quanto comia um argentinossauro adulto, um dos maiores saurópodes que já existiram, com 45 metros de comprimento e mais de 100 toneladas?

O maior coprólito (fóssil de cocô) de T. rex encontrado até hoje pesa 7 kg

E quem vivia de comer outros bichos, em vez de devorar plantas? Dá para saber? Bom, uma das criaturas mais estudadas nesse quesito é o tiranossauro. E uma das maneiras de estudar seus hábitos alimentares consiste em investigar, bem, o seu cocô.

Os cientistas chamam esses restos de coprólitos – fezes fossilizadas. O mais difícil nesses casos é descobrir quem era o dono do cocô, mas um em particular foi encontrado perto de fósseis de tiranossauro, o que faz os cientistas associarem um ao outro.

Era um cocozão de 38 centímetros e, a julgar por fragmentos próximos, originalmente devia ser até maior. Nele, os cientistas encontraram ossos fragmentados de dinossauro, que revelam que o T. Rex engolia osso junto com carne.

E quanto, afinal, ele devia comer? Analisando a sua mandíbula, sabemos que, numa única mordida, ele podia engolir 250 quilos. O que não sabemos é com que frequência ele comia. Como vários animais modernos, ele talvez se banqueteasse e então passaria alguns dias sem se alimentar, até voltar à caça. Mas não há como ter certeza.