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Que horas são na sua espaçonave?

No começo do século XX, o tempo era um só, no Universo inteiro. Einstein acabou com essa certeza.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h51 - Publicado em 14 out 1999, 22h00

No início do século, o tempo era absoluto e passava de maneira igual tanto para você, aqui na Terra, quanto para um eventual extraterrestre, numa galáxia distante. Era assim que a Física pensava, de acordo com os princípios formulados pelo inglês Isaac Newton (1642-1727), o fundador da Mecânica clássica. Para Newton, o tempo é uma grandeza independente de qualquer outra, um pano de fundo constante para os movimentos no Universo.

Em 1905, essa concepção veio abaixo. Um jovem físico alemão chamado Albert Einstein (1879-1955) expôs a sua Teoria Especial da Relatividade. Ali, ele afirma que o único valor absoluto no Universo é a velocidade da luz, de cerca de 300 000 quilômetros por segundo. O resto pode variar. Só ela se mantém constante. Segundo Einstein, o tempo se dilata ou encolhe, de acordo com a posição e a velocidade do observador (veja os infográficos). Se ele estiver à velocidade da luz, o tempo ficará infinitamente lento.

Em 1915, Einstein completou sua descoberta com outra teoria, a da Relatividade Geral, mostrando que a gravidade também pode alterar o tempo. Quanto maior a atração exercida por uma estrela ou um planeta, mais lenta a passagem do tempo por ali. “Essas variações são sutis demais para serem percebidas na Terra”, explica o físico George Matsas, do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista. Se você viajar ao redor do planeta a 900 quilômetros por hora, num avião comercial, ganhará 1/20 000 000 segundo de vida. Não ajuda muito, né?

O lugar onde o tempo pára

Você já se sentiu alguma vez tão contente a ponto de querer que o tempo parasse? Isso é possível – dentro de um buraco negro. O Universo está cheio desses corpos celestes, que se formam quando uma estrela morre e toda a sua matéria despenca na direção do núcleo. O diâmetro da estrela se reduz infinitamente e ela fica tão densa que nem a luz consegue escapar ao seu campo gravitacional. Se alguém deixasse cair um relógio num buraco negro e pudesse observá-lo, veria que seus ponteiros iriam ficando mais lentos até parar, tamanha a força da gravidade lá dentro.

Quem sabe é super

A palavra calendário vem do latim calends, nome dado pelos antigos romanos ao primeiro dia de cada mês.

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A nave da juventude

Gêmeos podem ter idades diferentes.

Faça um exercício de imaginação. Suponha que o ator Brad Pitt tenha um irmão gêmeo. Os dois rapazes fazem um acordo. O irmão fica em Hollywood, filmando, enquanto o ator embarca num foguete milhares de vezes mais rápido do que tudo o que se pode sonhar com a tecnologia atual.

À medida que a espaçonave se aproxima da velocidade da luz, o tempo em seu interior transcorre mais devagar. Isso porque, segundo a Teoria da Relatividade, a passagem do tempo para qualquer corpo depende da velocidade com que ele se desloca.

Depois de cinco anos no espaço, Brad Pitt regressa à Terra, no vigor de sua juventude. Mas aqui já teriam se passado trinta anos. O gêmeo, se tivesse continuado sua carreira, estaria fazendo papéis de avô. Em 1971 essa experiência, conhecida como Paradoxo dos Gêmeos, foi comprovada em uma experiência com relógios atômicos.

Ponteiros enlouquecidos

Relógios adiantam ou atrasam conforme a altura.

Além de variar conforme a velocidade, o tempo também sofre deformações por causa da força gravitacional. De acordo com a Teoria da Relatividade, quanto mais perto você está do chão, mais lenta é a passagem do tempo.

A 10 quilômetros de altitude, um relógio se adianta, a cada segundo, 1 bilionésimo de segundo em relação a outro relógio ao nível do mar. Você pode até imaginar que, morando no primeiro andar de um edifício, envelhecerá mais lentamente do que o seu vizinho da cobertura. Só que, para a ação da gravidade sobre o tempo surtir algum efeito perceptível, o prédio teria de ter uma altura tão grande que nem Einstein teria a paciência de calcular.

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