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Revolução industrial 3.0

A nanotecnologia transforma átomos e moléculas em verdadeiros canteiros de obras. O resultado são materiais inovadores, que vão mudar o mundo

Por 26 fev 2011, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h48
  • Texto Roberto Saraiva

    Hoje em dia, é só surgir uma novidade que logo aparece alguém pra dizer que ela vai mudar o mundo. Uma hora é o iPhone, noutra é o Twitter e, no fim das contas, a promessa é exagerada e o mundo não muda tanto assim. Por isso, é normal que você tenha um pé atrás quando dizem que a nanotecnologia – a técnica de construir coisas a partir de átomos – vai mudar o mundo. Mas a diferença é que ela vai. Mesmo. E será a maior mudança no mundo da produção desde a Revolução Industrial.

    Vários fatores garantem que dá para levar fé nessa promessa. O principal deles é a própria natureza da nanotecnologia. De certa forma, ela é um ramo da engenharia. Mas, em vez de tijolos ou parafusos, ela tem como matéria-prima átomos e moléculas, que os cientistas manipulam diretamente.

    O resultado é que as velhas substâncias ganham características completamente novas. Algumas se tornam mais leves. Outras, mais resistentes ou fáceis de limpar. Mas a verdade é que as aplicações são mesmo incontáveis, tanto que não há uma área só em que a nanotecnologia se desenvolve. Seus avanços podem ser aproveitados por áreas tão distintas quanto engenharia, química, eletrônica e medicina. Por exemplo: embora não se possa perceber a olho nu, na escala nano, o ouro fica líquido – e pode ser usado para detectar a doença de Alzheimer ainda nos estágios iniciais. Já a prata ganha propriedades antimicrobióticas e se torna capaz de limpar derramamento de óleo. Por isso, o papo de Revolução Industrial cola.

    A propósito: a revolução não só cola como também já começou. Atualmente, a nanotecnologia é utilizada em vários produtos. Alguns são bastante exóticos, como o par de meias que pode ser usado por duas semanas sem deixar cheiros desagradáveis, invenção da empresa taiwanesa Tsung Hau. Outros são bem populares, como o iPhone, que só tem seu famoso sistema touchscreen graças à manipulação de moléculas de óxido de índio e estanho. A coisa ainda vai mais longe. No livro Technology’s Promise (“Promessa da Tecnologia”), o cientista William E. Halal calcula que haja 1,2 mil projetos de nanotecnologia em andamento no mundo e, ao todo, eles já renderam 3 mil patentes.

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    Mas isso tudo é só o começo. O desenvolvimento da nanotecnologia vem sendo turbinado por uma enxurrada de recursos de pesquisa. Para o ano que vem, só o governo americano separou US$ 1,6 bilhão do orçamento para financiar o desenvolvimento da área – isso sem contar centros estrangeiros ou pesquisas da iniciativa privada.

    A fotônica é uma das áreas que a pesquisa em escala nano está incentivando. A transmissão de dados pela luz já está pautando pesquisas do MIT e da Intel para desenvolver chips de alta potência. E a IBM projetou um sistema que consegue armazenar a luz fazendo-a andar em círculos. O processo pode revolucionar a memória dos computadores.

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