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Rover Perseverance pousou em Marte nesta quinta (18). Conheça detalhes da missão

O robô explorará uma cratera que, no passado, pode ter servido como lar para micro-organismos.

Por Rafael Battaglia Atualizado em 18 fev 2021, 20h53 - Publicado em 18 fev 2021, 16h23

Quase oito meses após o seu lançamento, o rover Perseverance (“perseverança”, em inglês) pousará na superfície de Marte na tarde desta quinta-feira (18). O robô, desenvolvido pela Nasa, é fruto de um projeto de oito anos de pesquisa (e um investimento de US$ 2,7 bilhões), e tem o objetivo de analisar o passado do planeta – e ajudar futuras explorações de astronautas por lá.

O pouso foi transmitido pelo YouTube da Nasa, que exibiu imagens ao vivo da sala de controle da missão. Já as informações do rover, claro, chegaram com um atraso de 11 minutos e 22 segundos, que é o tempo das ondas de rádio viajarem até a Terra.

Você pode conferir como foi a transmissão aqui:

  • A expectativa é que a missão dure, ao menos, um ano marciano (687 dias terrestres). O Perseverance foi desenvolvido pelo Jet Propulsion Laboratory (JPL), o laboratório da Nasa responsável pelas sondas espaciais não-tripuladas, e saiu da Terra em 30 de julho de 2020. O processo de pouso, que começou na última sexta (12), terminará na cratera Jezero, que possui 45 quilômetros de diâmetro e está localizada no hemisfério norte de Marte, a 3,7 mil quilômetros da cratera Gale, onde pousou o robô Curiosity, que chegou por lá em 2012.

    O local de desembarque não foi escolhido por acaso. Pelo contrário: demandou cinco anos de pesquisa e mais de 60 possíveis candidatos. Acontece que, há cerca de 3,5 bilhões de anos, o Jezero era um grande lago, formado por um rio que passava por ele. O Perseverance, inclusive, pousará no delta desse rio, próximo da borda da cratera.

    Imagem da cratera Jezero.
    Parte da cratera Jezero, local de pouso da Perseverance. ESA/DLR/FU-Berlin/Divulgação

    Os cientistas acreditam que, por ter havido água por lá, há boas chances de encontrar uma alta variedade de minerais no solo e, mais importante, vestígios de micro-organismos que possam ter se desenvolvido em Marte no passado. “É um local de pouso bem especial”, disse em vídeo Katy Stack Morgan, uma das cientistas do projeto.

    Os componentes do Perseverance

    O novo rover da Nasa possui estrutura e tecnologia bastantes similares com a do seu irmão mais velho, o Curiosity – com algumas melhorias, claro. O Perseverance consegue, por exemplo, andar 200 metros por dia em Marte, o dobro do que o Curiosity era capaz.

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    Ao todo, o robô possui 19 câmeras, como as acopladas no seu braço e as do topo da sua “cabeça”, capazes de captar imagens panorâmicas. Além disso, o Perseverance conta com uma pequena estação meteorológica, um radar de penetração no solo, dois espectômetros (um para raios-X, outro para ultravioleta) e a SuperCam, um instrumento de medição óptica a laser para analisar a composição das amostras que forem coletadas.

    E veja só: o Perseverance não estará sozinho. Ele chegará junto com um robozinho de estimação, o Ingenuity (“ingenuidade”), um pequeno helicóptero que viajou acoplado ao rover. Tudo faz parte de uma demonstração tecnológica, que testará pela primeira vez voos motorizados em outro planeta.

    Os primeiros testes com o Ingenuity vão acontecer em um período de 30 dias marcianos nos próximos meses – a data exata ainda não foi confirmada. A ideia é que, no começo, o faça voos curtos, de 20 a 30 segundos de duração. Depois, se tudo correr bem, o objetivo é ir aumentando o tempo e a altitude percorrida pelo helicóptero.

    Ilustração mostra o Mars Helicopter Ingenuity voando em Marte, com o Rover Perseverance ao fundo.
    Helicóptero Ingenuity, que acompanhará o Perseverance na missão. NASA / JPL-Caltech/Divulgação

    Mas talvez o aparato mais interessante do novo rover seja o Moxie, uma mini-fábrica da oxigênio, capaz de gerar o gás a partir de dióxido de carbono – mais de 95% da atmosfera de Marte é composta por CO2. Mas não: o Perseverance não respira como a gente. Na verdade, o Moxie servirá para planos de longo prazo da Nasa. Calma, já vamos explicar.

    Objetivos da missão

    A missão do Perseverance possui quatro objetivos principais. O primeiro deles é investigar se, no passado de Marte, houve algum ambiente capaz de abrigar vida microbiana. Já o segundo é, justamente, tentar identificar sinais de vida (as bioassinaturas), sobretudo nas rochas do planeta.

    O terceiro objetivo é coletar amostrar do solo e subsolo de Marte. Para isso, o Perseverance possui também um pequeno perfurador. Tais amostras serão colocadas em pequenos tubos e ficarão armazenadas no planeta – até alguém ir buscá-las.

    Acontece que, para o Perseverance, será bem difícil realizar os dois primeiros objetivos por conta própria. Por isso, as amostras ficarão guardadas até que outras missões as resgatem, para que possam ser analisadas na Terra. Só que isso não deve acontecer tão cedo. Apesar de tanto a Nasa quanto a Agência Espacial Europeia já terem anunciado viagens à Marte para os próximos anos, a previsão é que as rochas só cheguem aqui no início de 2030.

    Por fim, o quarto objetivo da Perseverance é realizar os primeiros testes para uma futura expedição humana. É aí que entra o Moxie: com o aparelho, será possível entender como pode se dar a produção de oxigênio no planeta vermelho. Afinal, os futuros astronautas precisão do gás não só para respiração, mas também como propelente dos foguetes.

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