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Só um terço dos maiores rios do mundo correm livremente

Estudo analisou 12 milhões de quilômetros de rios e mostra que a maior parte teve o curso alterado por atividades humanas. Barragens são as maiores vilãs.

Após mapear 12 milhões de quilômetros de cursos d’água por todo o planeta, um grupo internacional de pesquisadores cravou: dois em cada três dos maiores rios da Terra tiveram seu trajeto atrapalhado por atividades humanas. Na lista de fatores que contribuíram para essas alterações estão barragens para a produção de energia elétrica, reservatórios e outras maravilhas da engenharia – como represas, obras para exploração mineral e estradas.

Estima-se que o fluxo de rios por todo o planeta tenha sido obstruído de alguma forma por 2.8 milhões de barragens. O artigo, publicado na revista científica Nature, calcula também que existam 3.700 barragens voltadas à produção de energia prestes a sair do papel ou já em processo de construção no mundo todo.

A equipe responsável pelo estudo envolveu 34 pesquisadores da ONG WWF, da Universidade McGill, no Canadá, e outras instituições, e começou a recolher informações em 2015. Desse levantamento, emergiram alguns dados interessantes.

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Dos 246 rios com mais de 1.000 quilômetros que existem, só 37% fluem sem ser interrompidos – isto é, não têm seu curso ou conexões afetados por atividades humanas. São, portanto, 90 ao todo. Desse seleto grupo, oito estão na bacia amazônica, no Brasil. Outros estão em áreas menos populadas, como na região do Ártico ou ao redor da bacia do Rio Congo. Apenas 21 rios que correm para o oceano o fazem sem nenhum empecilho, desde sua nascente até o mar.

Em áreas altamente populosas, há pouquíssimos rios que mantêm seu curso preservado, como o Irauádi, em Mianmar, e o Salween, que nasce na China e percorre 2,7 mil quilômetros até desaguar no Oceano Pacífico.

Apesar da situação positiva da bacia Amazônia, o cenário geral dos rios brasileiros não é bom. “A maior parte dos nossos rios estão fragmentados ou têm sua vazão regulada por reservatórios de hidrelétricas”, disse, em comunicado, Paula Hanna Valdujo, especialista de conservação do WWF-Brasil que participou do estudo. “Muitos sofrem o impacto do desmatamento e da ocupação de suas margens com pastagens, mineração e plantações, que aumentam a quantidade de poluentes e sedimentos e afetam a qualidade da água e a saúde do ecossistema”.

Quando construídas ao longo do leito principal de rios, hidrelétricas podem impedir seu fluxo normal. Isso tem impacto direto em aspectos como a biodiversidade do ambiente, a migração e reprodução de peixes, além da sobrevivência de comunidades locais.

Uma estimativa publicada pela WWF em 2018 diz que as populações de animais nativas diminuíram 83%  no mundo todo, desde 1970 – não só por conta das barragens, mas também pelo uso desregrado da água e a poluição.

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