Clique e Assine a partir de R$ 8,90/mês

Sonda chinesa Tianwen-1 entra na órbita de Marte

Missão, que planeja pousar no solo marciano a partir do mês de maio, pretende investigar região pouco explorada do planeta vermelho.

Por Guilherme Eler 10 fev 2021, 16h31

Um dia após os Emirados Árabes colocarem a sonda Esperança na órbita de Marte, foi a vez da China repetir o feito. O país asiático divulgou nesta quarta-feira (10) que a missão Tianwen-1 teve sucesso no processo de entrada na órbita do planeta vermelho. As duas nações, agora, se somam à lista dos seis programas espaciais que alcançaram a façanha que conta também com Estados Unidos, Rússia, Índia e ESA (a Nasa europeia).

Lançada em 23 de julho de 2020, a Tianwen-1 viajou pelo espaço por 202 dias e 475 mil quilômetros até chegar bem próximo a Marte. Segundo a CNSA, a agência espacial chinesa, os motores foram acionados para o início do processo de entrada na órbita marciana nesta quarta-feira às 8h52 (horário de Brasília). Após 15 minutos, freando, a nave ficou lenta o suficiente para ser capturada pela gravidade de Marte.

Desde então, o orbitador da Tianwen-1 passou a girar em uma trajetória elíptica ao redor do planeta. No ponto mais baixo da órbita, a sonda fica a meros 400 metros de distância da superfície marciana.

Estima-se que a missão levará cerca de 10 dias terrestres para completar uma volta em torno de Marte. Enquanto aproveita o passeio, a Tianwen-1 deverá usar suas câmeras potentes e outros instrumentos de análise para fazer medições do solo, campo magnético, atmosfera e clima marcianos e, também, para a tarefa de encontrar o melhor local para pouso.

  • A ideia é aterrissar em Marte para continuar com as coletas e análises, o que deve acontecer entre os meses de maio e junho. Se a missão for bem sucedida, a China se tornará o segundo país a tocar o solo de Marte, atrás apenas dos Estados Unidos.

    A China estuda tocar o solo do planeta vermelho em Utopia Planitia, região com relevo plano ainda pouco explorada por missões de outros países. Pesquisas anteriores apontaram que o local, formado após a queda de um asteroide, pode ter sido um lago ou um oceano, no início da formação de Marte. Um rover robô motorizado projetado para se mover na superfície de planetas será usado na missão. O carrinho tem 250 kg, e foi projetado para durar cerca de três meses.

    A comunicação entre a Tianwen-1 e a Terra é possível graças a um telescópio capaz de captar ondas de rádio. Ele tem uma antena gigante, com 70 metros de diâmetro, e fica na cidade chinesa de Tianjin, ao norte do país. O delay entre a coleta de informações marcianas pela missão chinesa até sua chegada a cientistas é de pouco menos de 11 minutos. Nada mal para uma viagem que pode ser de até 40 milhões de quilômetros a distância máxima que Marte fica da Terra. 

    Continua após a publicidade
    Publicidade