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Stephen Hawking afirma: dá para sair de um buraco negro. Em outro universo

Em conferência na Suécia, físico também disse que resolveu um paradoxo de 40 anos e está pronto para um Nobel

Por Fábio Marton - Atualizado em 4 nov 2016, 18h50 - Publicado em 26 ago 2015, 16h00

Não é para todo mundo ser chamado para falar sobre um conceito físico batizado com o próprio nome. O “astro-físico” Stephen Hawking foi à Universidade de Estocolmo atender à Conferência Sobre a Radiação de Hawking. “A mensagem dessa palestra é que buracos negros não são tão negros quanto são retratados. Eles não são as prisões eternas que se pensava”, resumiu o cientista. No evento, ele saiu-se com duas afirmações surpreendentes.

Hawking acredita, no que algo ainda é controverso, que buracos negros são a porta para outros universos. “Se você sente que está num buraco negro, não desista. Existe uma saída”, afirmou. “O buraco teria que ser grande e estar rodando. Assim, ele poderia ter uma passagem para outro universo. Mas você não poderia voltar ao nosso universo. Então, ainda que eu seja empolgado por voos espaciais, não vou tentar isso.”

Em outra parte da palestra, o cientista falou sobre solução do paradoxo da informação. Pela física relativística, quando algo cai num buraco negro, está perdido para sempre – inclusive a informação, isto é, pistas para o que foi parar lá dentro. A física quântica diz que a informação nunca pode ser perdida. Há 40 anos, todo mundo tenta explicar como as duas coisas podem estar presentes num buraco negro. Para Hawking, essa informação é guardada num “holograma 2D” no horizonte de eventos, isto é, a borda do buraco.

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Esse holograma 2D é formado pela Radiação de Hawking, emissões de fótons no horizonte de eventos. Eles não são os mesmos que caíram lá dentro, mas simplesmente surgem no local (é… é complicado). Por mais legal que seja, esse holograma contém a informação, mas embaralhada demais para entendermos. “Para todos os propósitos práticos, a informação está perdida”, disse o cientista.

Hawking também falou que está otimista sobre o Grande Colisor de Hádrons finalmente provar, de uma vez por todas, que buracos negros são reais. Ainda que se encaixem bem no modelo físico atual, buracos negros são… bem, invisíveis. Daí mais essa complicação. “Se alguns pesquisadores acharem um buraco negro, vou ganhar um Prêmio Nobel”, mandou, sem um pingo de falsa modéstia. Ele pode.

 

Fontes:

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1) Stephen Hawking in Stockholm: ”Black holes ain’t as black as they are painted”, Stockholm University

2) Hawking: information lost in black holes could be stored in alternate universes, KTH Royal Institute of Technology

3) Hawking offers new solution to black hole mystery, KTH Royal Institute of Technology

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