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Surgissem ETs inteligentes?

Para nossa frustração, a resposta dos ETs à nossa mensagem demoraria entre oito e 400 anos para chegar, dependendo de onde eles vivam.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h53 - Publicado em 31 jul 2002, 22h00

Adriano Sambugaro / Rafael Kenski

Não se assuste, mas alienígenas podem entrar em contato conosco a qualquer momento. É o que disseram 200 cientistas de universidades, institutos astronômicos e até da Nasa, a agência espacial americana, reunidos na Austrália, no mês passado, para discutir como seriam os ETs. A coisa é levada tão a sério que o Instituto Seti (sigla em inglês para “procura por inteligência extraterrestre”) juntou 26 milhões de dólares para construir um radiotelescópio dedicado à busca de vida fora da Terra.

Esse investimento parte do princípio de que, se há ETs inteligentes, eles devem usar rádio, cujas ondas se espalham pelo Universo e são detectáveis. Desde 1958, cientistas analisam freqüências de rádio vindas do espaço em busca de padrões que façam sentido. Quando isso ocorrer, tudo o que ouviremos será um padrão que se repetirá na mesma freqüência. Os cientistas deverão, então, certificar-se de que o sinal veio do espaço, confirmar a informação com outros cientistas e divulgá-la.

Por fim, teriam que preparar uma resposta, o que não será fácil. Primeiro porque demoraremos décadas para decifrar o que eles dizem. Se não tivermos certeza sobre suas intenções, poderemos enviar uma mensagem padrão, como as que já mandamos para o espaço, descrevendo o ser humano, o sistema solar, as moléculas de água ou o DNA por meio de línguas universais como a matemática. Mas a distância cultural pode ser tão grande que até a matemática deles seja diferente.

Para nossa frustração, a resposta dos ETs à nossa mensagem demoraria entre oito e 400 anos para chegar, dependendo de onde eles vivam. Já se sabe que não há vida no nosso sistema solar. Assim, a vizinhança habitada mais próxima seria Proxima-Centauri, a quatro anos-luz. Além disso, os cientistas só analisam sinais originados a, no máximo, 200 anos-luz.

Quando os jornais estamparem a manchete “Não estamos sós”, isso criará uma nova visão de mundo. Assim como Copérnico tirou a Terra do centro do Universo e Darwin colocou o ser humano no mesmo nível dos primatas, a descoberta de ETs nos obrigará a admitir que não somos assim tão especiais. As religiões teriam que ser revistas. A Gênese bíblica vale também para os demais planetas? A morte de Jesus também redime os pecados dos alienígenas? A alma dos extraterrestres é a mesma que a nossa? Muitos dogmas mudariam, mas é provável que as religiões ganhem força. “Algumas perguntas fundamentais da humanidade precisarão do tipo de solução não-científica que só a religião pode fornecer”, diz o antropólogo James Funaro, do Cabrillo College, Estados Unidos.

Se conseguirmos finalmente entender o que os ETs dizem, os cientistas poderão dar início a um intercâmbio cultural. “Será parecido com o Renascimento. Todo o nosso sistema de crenças e conhecimentos terá que ser modificado ou substituído em pouco tempo pela sabedoria do resto do Universo”, afirmou o historiador e astrônomo Steven J. Dick, do Observatório Naval dos Estados Unidos.

Se tivessem tecnologia suficiente, eles poderiam nos visitar. Para chegar até nós bastaria que detectassem alguns dos sinais de TV que nossas antenas emitem há 50 anos e que se espalham pelo espaço na velocidade da luz. Seriam perigosos? Não, segundo o astrônomo e escritor americano Carl Sagan. Para ele, apenas as civilizações altruístas poderiam chegar até nós – civilizações guerreiras se destruiriam antes de desenvolver a tecnologia necessária para viajar. Fisicamente, existem grandes chances de eles serem, como nós, feitos de carbono. “O silício, o substituto mais provável, é mais abundante que o carbono na Terra, mas, até hoje, não se conhece nenhuma forma de vida baseada nele”, afirma o astrônomo William R. Alschuler no livro The Science of UFOs (A ciência dos OVNIs, inédito no Brasil).

O maior impacto da visita seria a tecnologia que eles trariam até nós. Aprenderíamos a viajar pelo Universo, a sobreviver em ambientes inóspitos ou a manipular organismos com eficiência. Acima de tudo, descobriríamos como somos, quais os nossos limites e qual o nosso lugar no Universo.

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