Clique e Assine a partir de R$ 12,90/mês

Temos 667 asteroides nas redondezas, esperando para cair na Terra

Não precisa se preocupar com o Armagedom (nem cantar Aerosmith) por enquanto. Mas a Nasa já está fazendo simulações do impacto de uma possível colisão

Por Ana Carolina Leonardi 22 nov 2016, 15h53

De butuca no espaço, vivendo suas órbitas tranquilamente, estão 667 asteroides que podem se chocar contra a Terra no próximo século. Quem diz isso é a Sentry, um sistema de monitoramento de colisão da Nasa que busca incansavelmente por ameaças escondidas. Apesar do número alto de objetos localizados, a agência espacial acredita que estamos mais ou menos seguros pelas próximas gerações. Isso não impediu a Nasa, no entanto, de se preparar para o pior.

A simulação juntou, em uma sala, astrônomos e gestores de emergência e deixou-os lá para programar o apocalipse. A história era a seguinte: a NASA identificou um asteroide fictício, de 100 a 250 metros de tamanho, com uma probabilidade de 2% de colidir com a Terra em setembro de 2020 – mais especificamente, na região metropolitana de Los Angeles.

Na emergência de faz de conta, os pesquisadores tinha 3 meses para acompanhar a “bomba” espacial – nesse meio tempo, a probabilidade de impacto “aumentou” para 65%. Em 2017, já era 100%. Os cientistas precisavam explicar como era possível analisar os dados coletados e compartilhá-los com a Força Aérea e a Agência de Gestão de Emergências. Em colaboração, essas instituições planejaram a forma de avisar a população, se preparar para evacuar a metrópole e criar infraestrutura para atender feridos e demais danos causados pelo impacto.

Isso considerando o pior cenário possível: aquele em que não dá tempo de fazer mais nada além de esperar o troço cair. A outra alternativa é o que eles chamam de Missão de Deflexão. Na prática, é construir uma nave espacial especialmente designada para bater no asteroide e mudar sua trajetória. O problema é que esse projeto leva no mínimo 2 anos para ficar pronto, fora o tempo de viagem. É uma margem muito apertada para não criar um plano muito sério de contingência.

A simulação da Nasa não foi sem propósito: “Não é uma questão de se, mas de quando vamos ter que lidar com uma situação dessas”, falou Thomas Zurbuchen, administrador do Diretório da Nasa de Missões Científicas, em um comunicado à imprensa. A vantagem, segundo ele, é que a tecnologia atual permite a observação, a predição e o planejamento necessários para evitar um Apocalipse Asteroidal.

A pior experiência da humanidade com asteroides foi em 1908. Um objeto desses explodiu em Tunguska, na Sibéria, uma área desabitada, mas que teve milhões de árvores e animais reduzidos a carcaças em segundos. Em 2013, um meteoro de apenas 20 metros passou despercebido por interferência do Sol e deixou centenas de feridos na Rússia.

A simulação não passa longe da realidade quando mostra a probabilidade de colisão subindo de repente. Segundo o Centro de Estudos de Objetos Próximos da Nasa, que está acompanhando os 667 asteroides, o monitoramento funciona assim: entra para a lista qualquer objeto próximo que pareça estar entrando em trajetória de colisão. Até aí as informações são todas preliminares.

Quanto mais descobrimos sobre a órbita asteroidal, mais claros ficam os riscos. Se existem muitas trajetórias alternativas possíveis, a probabilidade de impacto começa a cair. Caso contrário, ela sobe. E é tudo bastante abrupto, saindo da trajetória ela cai para zero e sai da lista.

No momento, temos poucos asteroides que apresentam risco real. Essa ameaça é medida por uma escala logarítmica – como a Escala Richter, dos terremotos – chamada Escala de Palermo. A maioria dos 667 asteroides tem valor menor que -2, que indica “nada a se preocupar”. Por outro lado, temos ao menos 3 deles com valores entre 0 e -2, o que demanda “monitoramento cuidadoso”. A boa notícia é que a geração atual dificilmente vai ser extinta por asteroides: mesmo nas piores previsões, a próxima colisão de impacto só deve acontecer em 2175.

Continua após a publicidade
Publicidade