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Vazamento de Brumadinho é o maior do planeta desde Mariana

Em volume de resíduos, o incidente é um dos 10 maiores do mundo nos últimos 30 anos. O número de mortos, porém, pode aumentar a dimensão da tragédia.

O volume de resíduos que vazou da barragem de Brumadinho foi bem menor que o de Mariana. A represa de agora tinha capacidade para 12,7 milhões de metros cúbicos de dejetos de mineração. A que estourou em 2015, para 60 milhões.

Mesmo assim, Brumadinho está entre os maiores vazamentos no planeta nesta década. O de Mariana é que foi grande demais – o maior da história da humanidade em volume. Escaparam 43,7 milhões de metros cúbicos. Em Brumadinho, de acordo com uma estimativa do Corpo de Bombeiros, 3 milhões (ainda que este não seja o número definitivo).

Se forem mesmo 3 milhões de metros cúbicos, isso já basta para colocar Brumadinho no alto de um ranking perverso. Dos outros 67 estouros em barragens de mineração registrados no mundo nos últimos 30 anos, só 7 tiveram uma vazão maior do que essa (entra aí todo tipo de mineração  – ferro, cobre, ouro, manganês…).

Isso retrata uma tendência global. O aumento na produção mundial de minérios vem causando vazamentos cada vez maiores. De acordo com a Bowker Associates, uma consultoria de gestão de risco em construção pesada, a década entre 1955 e 1965 contabilizou 6 milhões de m3 em vazamentos desse tipo. Entre 2005 e 2015, com Mariana na conta, foram 107 milhões de m3. E a década entre 2015 e 2025, de acordo com a consultoria americana, deverá fechar em 123 milhões de m3.

Ou seja: a segurança nessa área tende a baixar com o tempo, não a aumentar, como acontece em praticamente qualquer outra atividade humana.  

Os volumes de dejetos não tem relação direta com o número de mortos. Naturalmente, já que isso depende da densidade demográfica de onde o acidente ocorre. Mariana, com seus mais de 40 milhões de metros cúbicos, deixou 19 mortos. Um vazamento de 200 mil m3 na cidade de Trento, na Itália, matou 268 pessoas, em 1985. Este acidente, na represa de uma mina de fluorita, é o maior registrado até hoje. Outro dessa magnitude só aconteceria novamente em 2008, quando uma represa de resíduos de minério de ferro estourou em Linfen, na China, deixando 254 mortos.

Até a última atualização desta reportagem, na tarde de sábado, 26, havia 34 mortos e 296 desaparecidos em Brumadinho.