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Via Láctea pode abrigar 36 civilizações extraterrestres capazes de se comunicar conosco

O cálculo foi feito com a famosa equação de Drake, e considerou que as sociedades alienígenas emergem em condições parecidas com as da Terra.

Por Carolina Fioratti - 19 jun 2020, 16h10

Pesquisadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, refinaram a famosa equação de Drake – e chegaram a conclusão de que deve haver, na Via Láctea, cerca de 36 civilizações inteligentes com tecnologia avançada o suficiente para entrar em contato conosco.

Para entender como os cientistas chegaram a esse número, é preciso primeiro compreender o que é a equação de Drake. A história resumida vai assim: em 1961, um grupo de 11 cientistas, incluindo Frank Drake, se juntaram em reunião para debater a existência de vida extraterrestre inteligente – e meios de se comunicar com esses possíveis alienígenas, cuja cultura e biologia sequer conheceríamos. 

Em certo momento, Drake escreveu na lousa uma equação com sete fatores – um equação que ele havia criado alguns dias antes em uma mesa de bar, e que se tornaria uma das mais célebres da história da ciência. Dá só uma olhada (se quiser conhecer melhor essa história, é só conferir esta reportagem da Super).

N = R* fp ne fl fi fc L

R* é a taxa anual de produção de estrelas na Via Láctea, a nossa galáxia.

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fp é a fração de estrelas que têm planetas.

ne é o número de planetas habitáveis por sistema planetário.

fl é a fração de planetas habitáveis que efetivamente desenvolvem vida.

fi é a fração de planetas vivos que desenvolvem vida inteligente.

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fc é a fração de planetas com vida inteligente que atingem o estágio tecnológico necessário para se comunicar por rádio com outras civilizações.

L é o tempo de vida médio de uma civilização capaz de se comunicar por ondas de rádio.

É “só” multiplicar todos os valores e você chega no número N, que é o número de civilações inteligentes com que poderíamos conversar na Via Láctea. O problema, óbvio, é determinar os valores. Você pode estimar para a variável L, por exemplo, que uma civilação dura, em média, 10 mil anos. Mas faz apenas um século que os seres humanos aprenderam a usar o rádio, e nós já quase destruímos o mundo em várias ocasiões. Se o aquecimento global continuar no ritmo atual, talvez o Homo sapiens cause a própria extinção em bem menos de mil anos.

Qualquer mudança em qualquer uma das variáveis, portanto, pode gerar uma flutuação drástica no resultado final.

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Agora, 60 anos depois da fatídica reunião, um grupo de pesquisadores da Universidade de Nottingham fez algumas adaptações (e deu alguns chutes educados) em uma nova tentativa de resolver a equação de Drake. No final, eles chegaram a um resultado bem moderado: 36 civilizações passíveis de contato. 

Para as variáveis referentes aos planetas, os pesquisadores consideraram que os dados eram semelhantes aos da Terra. Ou seja: que os planetas com condições climáticas propícias dão origem à vida relativamente rápido (a Terra se formou há 4,5 bilhões de anos, e há 4 bilhões já ganhou suas primeiras bactérias). Mas que a vida inteligente demora um pouco para emergir (o Homo sapiens tem apenas 300 mil anos de idade). 

Também há o tempo que essa civilização inteligente passa dominando a tecnologia necessária para enviar saudações a outros planetas por meio de ondas de rádio (que só pode ser estimado, afinal, não sabemos quando a humanidade pode ser extinta ou regredir a um estado com acesso a pouquíssima tecnologia). Com esses valores em mente, eles testaram vários cenários, que indicaram a existência de 32 a 175 civilizações contatáveis pela Via Láctea – sendo 36 o valor intermediário mais razoável.

Isso significa que a civilização mais próxima estaria a no mínimo 17 mil anos-luz de nos – uma distância intrasponível por quaisquer meios tecnológicos existentes, já que qualquer mensagem de rádio, caminhando à velocidade da luz, levaria 17 mil anos para ir, e a resposta levaria outros 17 mil para voltar. 

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Christopher Conselice, um dos autores do estudo, explica que o resultado não é só filosofia: tem implicações para o nosso destino. “Se descobrirmos que a vida inteligente é comum, isso revelaria que nossa civilização poderia existir por muito mais do que algumas centenas de anos; por outro lado, se descobrirmos que não existem civilizações ativas em nossa galáxia, é um mau sinal para nossa existência a longo prazo. Ao procurar por vida extraterrestre inteligente – mesmo que não encontremos nada – estaremos descobrindo nosso próprio futuro e destino”.

Em outras palavras: se existirem muitos ETs por aí, é porque eles duram muito. Porém, se eles forem raros, é sinal de que a vida inteligente não é tão inteligente assim – e causa seu próprio fim com algulma facilidade.

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