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Vulcões: Tragédia morro abaixo

Nos últimos cinco séculos, os vulcões fizeram 300 000 vítimas fatais. Conheça as piores erupções.

Claudio Angelo

No início de maio de 1902, os habitantes de Saint-Pierre, capital da colônia francesa da Martinica, no Caribe, começaram a desconfiar que algo de horrível estava para acontecer. Havia dias que o Monte Pelée, um vulcão próximo à cidade, estava expelindo fumaça. De olho nas eleições, marcadas para aquele mês, o governador da ilha aconselhou a população a não entrar em pânico. O vulcão, garantiu, estava extinto.

Mas às 8h02 do dia 8 de maio, o Pelée voltou da aposentadoria. Uma das faces da montanha simplesmente se derreteu e uma nuvem ardente queimou e sufocou quase todos os 29 000 ilhéus. Só escaparam um sapateiro e um presidiário chamado Auguste Ciparis, cuja cela resistiu ao calor.

Nos últimos 500 anos, as erupções já causaram mais de 300 000 mortes, no mundo inteiro. Embora inevitáveis, tragédias como a do Pelée e a do Nevado del Ruiz, na Colômbia, em 1985, poderiam ter sido minimizadas se as autoridades tivessem alertado a população.

Há ocasiões em que o problema não é a erupção em si, mas suas conseqüências indiretas. Foi o caso do Tambora, em 1815, e do Krakatoa, em 1883, ambos na Indonésia. O Krakatoa provocou um maremoto que arrasou o litoral das ilhas da região, matando 36 000 habitantes. A erupção do Tambora, considerada a maior catástrofe vulcânica da História, carbonizou 10 500 moradores da Ilha de Sumbawa. Mas o pior veio depois. As cinzas despejadas num raio de 990 quilômetros destruíram todas as colheitas. Outros 80 000 indonésios morreram de fome nos meses seguintes.

Cidade-cemitério

As autoridades da Colômbia já haviam sido avisadas de que o Nevado del Ruiz poderia entrar em erupção a qualquer momento no segundo semestre de 1985. Ninguém moveu uma palha para alertar as cidades ao redor do vulcão. Em novembro, a previsão se realizou.

Um lahar – avalanche de neve derretida e rochas – desceu velozmente a encosta da montanha, atingindo em cheio a cidade de Armero, a 40 quilômetros do vulcão. Dos 25 000 moradores, só 2 000 sobreviveram. Armero, como Pompéia, foi sepultada. Até hoje está debaixo da lama.

A lenda de Atlântida

Em 1450 a.C, uma erupção destruiu uma parte da ilha grega de Thera (atual Santorini), no Mar Egeu. O vulcão cuspiu mais de 100 milhões de toneladas de pedra, lava e cinzas e provocou um maremoto de 40 metros de altura. Para alguns arqueólogos, essa onda gigante foi a responsável pela extinção da civilização minóica, que habitou a Ilha de Creta. Daí pode ter surgido a lenda de Atlântida.

Pompéia, ano 79

Até o dia 24 de agosto do ano 79, as cidades de Pompéia, Herculano, Estábia e Oplonte, no sul da Itália, eram uma das regiões mais badaladas do Império Romano. Lá, os cidadãos enriquecidos com o comércio iam se divertir, fosse nas praias de água azul-turquesa do Mar Tirreno, fosse em festas regadas a bons vinhos. O que ninguém sabia era que o Monte Vesúvio, a montanha onde se plantavam as famosas parreiras do local, viria a ser uma fonte de desgraça. Naquele tórrido dia de verão, o Vesúvio despertou, depois de milênios adormecido. Uma nuvem de cinzas escureceu o dia e, depois de um terremoto violento, uma nuvem de pedras flamejantes, cinzas e gases se abateu sobre Pompéia. Quem não morreu queimado nem asfixiado acabou sob 4 metros de pedras, pó e lava. Pompéia só seria desenterrada dezessete séculos depois, em 1748.