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Por Alexandre Versignassi
Blog do diretor de redação da SUPER e autor do livro "Crash - Uma Breve História da Economia", finalista do Prêmio Jabuti.
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Dê um pé na bunda do seu banco.

Bradescão: R$ 12 bilhões de lucro. Itaú e Banco do Brasil: R$ 15 bi. Enquanto o PIB se arrasta, o lucro dos bancos cria asas. Mas ei: se tem dinheiro saindo pelo ladrão, vale pensar a sério em como pegar um pouco para a gente – sem o embaraço de infringir a lei, claro. E o […]

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Atualizado em 21 dez 2016, 09h48 - Publicado em 26 fev 2014, 17h26

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Bradescão: R$ 12 bilhões de lucro. Itaú e Banco do Brasil: R$ 15 bi. Enquanto o PIB se arrasta, o lucro dos bancos cria asas. Mas ei: se tem dinheiro saindo pelo ladrão, vale pensar a sério em como pegar um pouco para a gente – sem o embaraço de infringir a lei, claro. E o melhor jeito de fazer isso é simples: tirar dos fundos de investimento do seu banco e colocar no Tesouro Direto.

Não que isso seja novidade. O Tesouro está em alta, principalmente agora, que ações viraram um investimento tão seguro quanto a Telesena, que poupança rende menos do que estocar comida na área de serviço e que o único jeito de conseguir um fundo de banco sem taxa de administração suicida é comprovar pro gerente que, sim, você entrou na lista de bilionários da Forbes.

Bom, o Tesouro Direto é um jeito de investir em títulos públicos, de emprestar dinheiro para o governo em troca de juros. E quase sem pagar taxa de administração. Se você tem dinheiro num fundo DI, já está emprestando para o governo. Está quase tudo aplicado em títulos públicos que pagam a Selic, a taxa básica de juros da economia. Quando a Selic sobe, então, você ganha mais. Se o fundo for de renda fixa, o grosso ali está em títulos pré-fixados, os que pagam um juro fixo, na alegria ou na tristeza, na subida ou na descida da Selic. Esse juro fixo geralmente é maior que a Selic. Então, quando a taxa básica cai, fica maior ainda. E o fundo começa a dar dinheiro a rodo. Mas quem ganha mesmo, na saúde ou na doença, é o nosso amigo banco. Um fundo normal cobra quase 2% ao ano de taxa de administração. Não é pouca coisa. Um cálculo simplificado, que não leva em conta as filigranas financeiras que desse tipo de operação, deixa claro: se a taxa básica de juros ficar um ano em 10%, um fundo DI que cobra 2% vai render 8%. Em dez anos (caso a Selic continue nessa faixa), nosso fundo aqui vai ter dado 116%. Legal. Só que não: se você comprar via Tesouro Direto o tal do título que rende igual a Selic – o nome dele é LFT* – vai ganhar 148% nesses mesmos 10 anos. O cálculo é simplificado, mas não grosseiro: descontei 0,5% de taxa de administração (sim, o Tesouro Direto não é tão direto assim: mesmo sem banco no meio, você acaba pagando para alguns atravessadores oficiais). Anyway, o 1,5% a mais de rendimento anual se transforma em 32% a mais em 10 anos, graças à magia dos juros compostos. É o suficiente para que o Tesouro Direto seja sempre mais negócio que qualquer fundo DI.

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Mas isso só é certeza com as LFT’s, os títulos que acompanham a Selic. No caso daqueles que pagam um juro determinado, faça chuva ou caia o Mantega, é diferente. Eles são mais oito ou oitenta: ou dão um dinheiro gordo ou te deixam no prejuízo.

Na prática agora. Desses outros títulos, os mais populares são os indexados pela inflação: as NTN-Bs**. Se você compra uma NTN-B de R$ 1.000, o governo te dá um papelzinho onde aparece escrito “vale R$ 1.000 mais toda a inflação acumulada nos próximos 10 anos mais 6% anuais de juros”. Bom, o governo não dá um papelzinho, só uma conta no site do Tesouro Direto para você monitorar o rendimento do tílulo. Mas a imagem do papelzinho é importante para mostrar como a coisa funciona, porque um título é um vale. Um vale dinheiro. Com data de vencimento. Uma NTN-B vai te pagar a inflação mais um juro pré-fixado até uma certa data. Pode ser até 15 de maio de 2019, até 15 de agosto de 2035… Depende da NTN-B que você comprar.

Então você vai e compra. Compra uma NTN-B que paga o IPCA mais 6% ao ano até 15 de maio de 2017. Paga R$ 1.000 por ela. O que acontece, então? Bom, quando chegar a data de vencimento, o governo deposita automaticamente na sua conta os R$ 1.000 corrigidos, pagando pelo empréstimo que você fez aos cofres públicos. Se a inflação ficar em, vá lá, 7%, você saca um pouco mais de R$ 1400 lá na frente. Legal: 40% em três anos. Nenhum fundo DI ou de renda fixa hoje dá algo perto disso.

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Mas e se você não quiser esperar até o vencimento? Faz todo o sentido precisar do dinheiro antes, já que existem títulos a venda hoje que só vencem em 2050. E aí? O que acontece? Bom, acontece que dá para vender o título, como se ele fosse um carro. Do mesmo jeito que existe um mercado exuberante de carros usados, tem um não menos vibrante de “títulos usados”. Mas você não precisa levar o seu título às 6h da manhã no feirão da Praça Charles Miller para ver se acha quem compre. O governo mesmo é quem compra. De volta. Se não fizesse, deixando tudo na mão do mercado, você gastaria mais tempo tentando vender um título usado por um preço justo do que gasta trabalhando – e o Tesouro Direto seria basicamente inútil. Mas o governo se compromete a recomprar – para depois vender a outros interesados. Então beleza.

O problema aí é que não dá para prever quanto o governo vai desembolsar. Eles pagam o preço de mercado, o quanto os outros interessados estão dispostos a pagar. E esse preço varia bem.

Vamos ver dois cenários. Primeiro, um negativo. Pegue aquele título de R$ 1.000. Ele não dá a inflação mais 6% ao ano por que está escrito na Bíblia. Ele paga isso porque a Selic, neste momento, está em 10,5%. O governo espera uma inflação em torno de 5% nos próximos anos. Então os 6% extras entram para que o rendimento dê basicamente a Selic mais um chorinho (o extra vai para compensar o tempo generoso que você está dando para o governo pagar o que te deve).

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Bom, então a Selic vai e sobe 3% nos próximos anos (mais ou menos o que subiu de 2012 para cá). Sabe o que acontece? O governo começa a lançar títulos pagando a inflação mais 9%. E o seu titulinho, que só paga a inflação mais 6% vira um mico desgraçado.

Se você esperar até o vencimento, não chega a se dar mal.  O Banco Central aumenta a Selic para conter a inflação. Se a Selic estiver em 13%, 14%, é porque a inflação está em 9%, 10%. Então, lá na frente, você tira razoavelmente mais que aqueles R$ 1400. Seu dinheiro continua protegido. Mesmo assim, os títulos novos vão pagar essa inflação bombada mais um juro fixo bem mais alto, de 9%. Aí complica para quem quer vender o antigo, de 6%. Ele vai sofrer uma concorrência desleal. Só vai aparecer comprador para o de 6% se tiver um jeito de fazer com que ele renda tanto quanto o de 9%. E tem um jeito. Assim: um de 9% que custasse R$ 1.000, com vencimento em 10 anos, pagaria R$ 2.367 mais a inflação lá na frente. Só isso já dá 137%. Bom, então o seu titulinho de 6%, também com  vencimento em 2024 e também adquirido por R$ 1.000, teria que render pelo menos 137% (fora a inflação) para que alguém se dê ao trabalho de comprar. O valor final do seu título, fazendo o mesmo cálculo e cortando fora a inflação, seria de R$ 1790. O percentual entre R$ 1.000 e R$ 1790 é bem menor: 79%. Como fazer com que ele chegue a 137%, então? Diminuindo o valor a ser pago pelo título. Se ele custar R$ 753, vai render tanto quanto o de 9%. É por esse preço que o governo vai te comprar o título de volta. Você coloca R$ 1.000 e tira R$ 753. Aí vai dar saudade do banco…

Agora vem o lado positivo. Se a Selic cair, acontece o contrário: o preço do título sobe. Invertendo o exemplo aí de cima, o governo passa a lançar títulos que pagam só 3% mais a inflação. Aí o seu título de 6% vira ouro. Vai chover comprador. E você consegue vender a coisa pelo dobro – anos e anos antes do vencimento. No último ciclo de queda da Selic, as NTN-B’s estavam dando 30%, 40% ao ano. Foram o melhor investimento do país, fora imóveis.

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Mas claro: tudo isso dá mais trabalho que banco. E, no caso das NTN-Bs, você corre o risco de perder dinheiro se não tiver como segurar o título até o vencimento. Outro inconveniente é que as tais das recompras acontecem só de quarta feira. Precisou do dinheiro numa quinta? Abraço. Você também tem que abrir conta numa corretora (e evitar as corretoras ladronas, que exageram nas taxas). Só que mesmo com esses reveses o Tesouro Direto continua atraente. Ele é uma possibilidade real e rentável que todo mundo tem de poupar para o futuro. De poupar só para você, sem dar de presente pra um banco boa parte do que você ganhou trabalhando.

 

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*Letra Financeira do Tesouro

**Nota do Tesouro Nacional – Série B

***O governo deveria inventar nomes menos esdrúxulos pros títulos. O século 19 já acabou.

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