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Bruno Garattoni Por Bruno Garattoni Vencedor de 13 prêmios de Jornalismo. Editor da SUPER.

Erro do FBI travou iPhone de terrorista; entenda briga dos EUA com a Apple

Por Bruno Garattoni Atualizado em 21 dez 2016, 09h42 - Publicado em 22 fev 2016, 13h54

burrinho

Na última semana, Apple e FBI começaram uma briga pública em torno do iPhone de Syed Farook, homem que matou 14 pessoas em San Bernardino, na Califórnia, no dia 2 de dezembro.  O FBI quer ter acesso ao conteúdo do iPhone (um 5C) porque Farook, que foi morto pela polícia, é suspeito de ligações com grupos terroristas. O problema é que o celular está protegido com senha – e o iOS tem um recurso de proteção que impede sucessivas tentativas de digitar a senha. Depois da décima senha errada, o aparelho fica travado por uma hora a cada nova tentativa. Isso inviabiliza um ataque de “força bruta”, ou seja, ir tentando todas as senhas até acertar.

O FBI quer que a Apple crie uma nova versão do iOS, sem essa proteção, e instale no celular de Farook. A empresa está resistindo. Segundo ela, isso abriria um precedente perigoso, porque todas as outras polícias, de todos os outros lugares do mundo, iriam exigir o mesmo, o que colocaria em risco os usuários do iOS. Mas o mais surpreendente é que o imbroglio começou por causa de um erro do próprio FBI. O iPhone de Farook estava configurado para salvar backups do seu conteúdo no iCloud – onde a Apple poderia facilmente acessá-los, sem precisar quebrar nenhuma proteção. Mas técnicos do FBI inadvertidamente resetaram a senha do iCloud do atirador, e agora a Apple diz que não consegue acessá-lo. A Apple também afirma ter oferecido ao FBI quatro métodos alternativos para acessar o conteúdo do iPhone de Farook, que não exigem a violação do iOS, mas as autoridades não aceitaram.

Isso leva a crer que a investida do FBI tenha um componente político. O órgão quer criar um precedente jurídico, e uma brecha tecnológica, que facilite seu acesso a iPhones no futuro. Porque o celular de Farook nem é tão valioso assim. É bastante possível que o aparelho não contenha nenhuma informação relevante, por dois motivos. Primeiro, era o telefone do trabalho dele, não um aparelho pessoal. Além disso, o terrorista e sua esposa, que o ajudou no ataque, tinham pelo menos outros dois celulares, que destruíram antes da ação. Com o iPhone, eles não fizeram nada.

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