Clique e Assine SUPER por R$ 9,90/mês
Imagem Blog

Bruno Garattoni

Por Bruno Garattoni Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Vencedor de 15 prêmios de Jornalismo. Editor da Super.
Continua após publicidade

EUA fazem primeira execução com o método de asfixia por nitrogênio

Procedimento causou intenso sofrimento ao condenado, afirmam testemunhas; ONU protestou contra o método, que classificou como tortura; empresas farmacêuticas têm se recusado a fornecer medicamentos usados em injeção letal

Por Bruno Garattoni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 26 jan 2024, 14h09 - Publicado em 26 jan 2024, 14h00

Procedimento causou intenso sofrimento ao condenado, afirmam testemunhas; ONU protestou contra o método, que classificou como tortura; empresas farmacêuticas têm se recusado a fornecer remédios usados em injeção letal

Às 19h53 de ontem no horário local (22h53 de Brasília), o americano Kenneth Smith, de 58 anos, foi morto em uma câmara de execução em Atmore, no Alabama. Smith foi amarrado a uma maca e teve uma máscara colocada sobre seu rosto. Em seguida, ela começou a liberar nitrogênio – um gás inerte, que compõe 78% do ar atmosférico. 

O corpo está acostumado com o nitrogênio, e não o rejeita. Mas, ao contrário do oxigênio, que corresponde a 21% do ar que respiramos, o organismo não consegue usar o nitrogênio para gerar energia. Isso, segundo as autoridades americanas, significa que a inalação de nitrogênio é um método indolor de execução: o condenado perderia os sentidos já nos primeiros segundos.

Não foi o que aconteceu com Smith, sentenciado à morte pelo homicídio de Elizabeth Sennett, em 1988 (o marido dela, um pastor, contratou Smith e outros dois homens para assassiná-la). Segundo cinco jornalistas do Alabama, que testemunharam a execução e foram ouvidos pelo New York Times, Smith “se contorceu e debateu” por pelo menos 2 minutos. Depois, continuou respirando ofegantemente por vários minutos.    

“Foi a quinta execução que eu testemunhei no Alabama, e nunca vi uma reação tão violenta”, declarou o jornalista local Lee Hedgepeth. Segundo ele, a cabeça de Smith se moveu violentamente, para a frente e para trás, ao longo do procedimento. 

Continua após a publicidade

Eventualmente, a respiração do preso começou a desacelerar, e parou. Às 20h25 no horário local, mais de meia hora após o início da execução, Smith foi declarado morto. 

Foi a segunda tentativa. Em novembro de 2022, o Estado do Alabama tentou executar Smith por meio de injeção letal, mas os enfermeiros não conseguiram pegar uma veia dele em tempo – e o mandado de execução, que dura algumas horas, expirou.

A execução por nitrogênio também é autorizada no Mississippi e em Oklahoma, mas nunca havia sido usada – Smith foi o primeiro a ser submetido a ela. O método é empregado na eutanásia de animais. Mas, segundo a American Veterinary Medical Association (AVMA), só pode ser aplicado em aves, como frangos e perus. 

Não deve ser utilizado em mamíferos, aos quais causa intenso sofrimento – a exceção são os porcos, nos quais a AVMA permite que o nitrogênio seja aplicado, desde que os animais recebam um sedativo e estejam inconscientes durante o processo. Smith não recebeu qualquer sedação, e estava consciente. 

Continua após a publicidade

Antes de ser amarrado e executado, ele fez uma longa declaração – na qual disse, segundo testemunhas, que “hoje, o Alabama fez a humanidade dar um passo para trás”. Na terça-feira, a ONU se manifestou contra a execução de Smith por inalação de nitrogênio, que “pode representar tortura ou punição cruel, desumana ou degradante de acordo com a legislação internacional de direitos humanos”. 

Mesmo assim, a Suprema Corte dos EUA autorizou o procedimento. O país vem tendo dificuldade para executar condenados pelo meio mais comum, a injeção letal – nos últimos 10 anos, as empresas farmacêuticas que produzem as substâncias utilizadas têm se recusado a vendê-las para esse fim. 

Isso levou as autoridades de vários Estados a estudar outros métodos. Em 2021, houve um escândalo internacional depois que o jornal The Guardian obteve documentos mostrando que o governo do Arizona pretendia usar cianeto de hidrogênio – a mesma substância empregada nas câmaras de gás dos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Compartilhe essa matéria via:
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 9,90/mês*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Super impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 14,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$118,80, equivalente a 9,90/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.