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Bruno Garattoni Por Bruno Garattoni Vencedor de 13 prêmios de Jornalismo. Editor da SUPER.

EUA reduzem para 5 dias o tempo de isolamento de infectados; entenda como isso pode mudar a dinâmica da pandemia

Por Bruno Garattoni Atualizado em 28 dez 2021, 13h51 - Publicado em 28 dez 2021, 10h36

Órgão de saúde do governo americano muda de posição para tentar evitar um colapso dos serviços no país, que é rapidamente tomado pela Ômicron e registra mais de 240 mil novos infectados por dia

A nova diretriz, anunciada ontem à noite pelo Centers for Disease Control (CDC), é a seguinte: a pessoa diagnosticada com Covid-19 deve permanecer em isolamento por 5 dias (não 10, como antes). Segundo o CDC, isso se deve às características da variante Ômicron, “com a ciência demonstrando que a maioria da transmissão do Sars-CoV-2 ocorre no começo da doença, geralmente 1 ou 2 dias antes do aparecimento de sintomas, e nos 2 ou 3 dias seguintes a eles”. Ao final dessa quarentena sumária, o infectado deve usar máscara por 5 dias.

E pronto, acabou. É uma mudança drástica, que enquadra a Covid-19 como uma doença de menor severidade e curso mais rápido – justamente as supostas características da Ômicron. O CDC também afirmou que mesmo pessoas não-vacinadas, ou com vacinação “antiga” (que receberam a segunda dose há mais de seis meses, e não tomaram a dose de reforço) só precisam se isolar por 5 dias caso tenham Covid. A única diferença é que, nesses casos, o infectado deve usar máscara por 10 dias após completar a quarentena.

A mudança leva em conta o avanço da Ômicron nos EUA, onde a nova variante já corresponde a 58% dos novos casos de Covid. Como ela é mais transmissível, mesmo entre pessoas vacinadas, tem se espalhado vertiginosamente pelo país: ontem, 27 de dezembro, os EUA registraram 243 mil infectados, o dobro da média do começo do mês. 

Alguns locais, como Washington D.C., têm uma curva de infecção especialmente forte, com a linha vertical típica da Ômicron. Veja no gráfico abaixo: 

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Número de infectados (linha vermelha), hospitalizados (laranja) e mortos (cinza) por Covid em alguns Estados americanos, na comparação com o final do ano passado. New York Times/Reprodução

Como os infectados precisam se afastar do trabalho para cumprir a quarentena, isso já começa a provocar disrupção na economia, com mais de 4.000 voos cancelados nos EUA nos últimos dias. No Reino Unido, houve problemas com os serviços de bombeiros, trens, supermercados e na coleta de lixo. Num cenário mais intenso, em que grande parte da população é infectada nas próximas semanas, poderia haver interrupção de serviços básicos. A quarentena de cinco dias reduz esse risco. 

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A mudança de posição do CDC também leva em conta a aparente menor letalidade da nova variante. As hospitalizações cresceram, mas bem menos do que os casos: estão 8% acima do patamar pré-Ômicron, e hoje há 71 mil americanos internados por Covid. As mortes cresceram 3%, para uma média diária de 1.324. O país tem um contingente expressivo de pessoas que não querem se vacinar, e são as mais expostas à possibilidade de Covid grave.

Ainda não há clareza sobre a efetiva letalidade da Ômicron: os dados disponíveis até agora são bastante incompletos, ou cobrem grupos pequenos e por pouco tempo. Mas ao flexibilizar a quarentena, especialmente num momento de forte propagação do vírus, o CDC parece entender que, na prática, será impossível frear o avanço da nova variante – restando adotar uma política de redução de danos.  

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