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Bruno Garattoni

Por Bruno Garattoni
Vencedor de 15 prêmios de Jornalismo. Editor da Super.
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Fungo raro e letal ataca pacientes de Covid na Índia

País registra mais de 500 casos de mucormicose, doença que pode atacar o cérebro e se manifesta quando o sistema imunológico está enfraquecido, ou após tratamento contra o Sars-CoV-2; taxa média de mortalidade é 44%

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Atualizado em 11 Maio 2021, 17h28 - Publicado em 11 Maio 2021, 17h17

País registra mais de 500 casos de mucormicose, doença que pode atacar o cérebro e se manifesta quando o sistema imunológico está enfraquecido, ou após tratamento contra o Sars-CoV-2; taxa média de mortalidade é 44%

A Índia é hoje o país mais afetado pelo coronavírus, com média de 380 mil novos infectados e 3.900 mortes por dia. Essa explosão está relacionada a uma nova cepa do vírus, a B.1.617, que surgiu na Índia – e, ontem, foi classificada como “variante de interesse global” pela OMS. Agora, a onda de Covid no país começa a ter outro efeito: a disparada de casos de mucormicose, infecção rara em que um fungo do gênero Mucor ataca o pulmão e o cérebro. 

O estado de Gujarat, no extremo Oeste da Índia, registrou 300 casos da doença em quatro cidades, com outros 200 casos no estado de Maharastra. Também há relatos em Nova Délhi, a capital do país. A infecção acontece quando a pessoa inala esporos do fungo, que normalmente não causa problemas: o sistema imunológico consegue combatê-lo antes que ele provoque sintomas.

Mas, quando o indivíduo está com as defesas fragilizadas, o fungo pode se deslocar pelas vias aéreas e alcançar o cérebro, podendo penetrar nele. A taxa média de mortalidade da mucormicose (também conhecida como zigomicose) é de 44%, podendo alcançar 76%. Esses números pressupõem que a doença seja tratada; se nada for feito, a letalidade é de 97%.

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O fungo pode ser transmitido pelo contato direto com pessoas contaminadas ou pelo manuseio de objetos que elas usaram – lençóis, por exemplo. Se a pessoa estiver infectada pelo coronavírus, seu corpo nem sempre consegue combater o Mucor. Os tratamentos hospitalares contra a Covid-19, que envolvem o uso de corticóides (para frear a tempestade de citocinas, uma resposta imunológica anormal que pode levar à morte), também podem acabar favorecendo a mucormicose. 

A doença começa com sintomas parecidos aos da sinusite – e, em alguns casos, se manifesta depois que o indivíduo se curou da Covid. Por motivos ainda pouco compreendidos, a mucormicose parece afetar mais as pessoas diabéticas. Ela é tratável com medicamentos antifúngicos, como a Anfotericina B. No sábado, o governo indiano anunciou que está comprando 5.000 doses desse remédio, e também irá isolar os pacientes infectados pelo fungo em alas especiais dos hospitais. 

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