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Bruno Garattoni Por Bruno Garattoni Vencedor de 13 prêmios de Jornalismo. Editor da SUPER.

HD com US$ 350 milhões em Bitcoin vai para o lixo no Reino Unido

Por Bruno Garattoni Atualizado em 7 jan 2022, 10h58 - Publicado em 5 jan 2022, 10h59

Britânico diz que jogou fora por engano o disco rígido – e tenta obter permissão das autoridades para procurá-lo em aterro sanitário; entenda o caso

Em agosto de 2013, o inglês James Howells resolveu arrumar seu home office e jogar fora coisas que não usava mais – o que, como ele trabalha com TI, significava um amontoado de cabos, periféricos velhos e/ou quebrados, como um mouse e dois HDs externos. Um dos discos rígidos estava em branco, e o outro tinha um backup com arquivos de um laptop que Howells não usava mais (ele tinha derrubado limonada na máquina, que parou de funcionar).  

Ele jogou o HD em branco num saco de lixo. Antes de ir dormir, pensou melhor e decidiu pegar de volta o disco para ver o que tinha dentro, e apagar de forma segura (simplesmente deletar arquivos não faz com que eles sejam realmente removidos do disco). O problema é que, de manhã, sua esposa Hafina tirou o lixo – e com ele, o HD. 

Nenhum dos dois percebeu de imediato, mas o disco jogado fora não era aquele em branco, mas o outro. E dentro dele, além de arquivos diversos, havia 7.500 bitcoins – que, naquela época, já valiam US$ 6 milhões. Então os dois foram até o aterro sanitário da cidade (Newport, no País de Gales) pedir permissão para tentar recuperar o disco de alguma forma. 

Alegando questões sanitárias, as autoridades da cidade não permitiram que Howells tivesse acesso ao lixão, mas disseram que devolveriam o HD a ele caso o encontrassem. Nos anos seguintes, ele assistiu horrorizado à cotação do bitcoin disparar. Em 2018, as criptomoedas contidas naquele disco já valiam mais de US$ 100 milhões. Pela cotação atual, são quase US$ 350 milhões. O HD é muito provavelmente o objeto mais valioso já jogado no lixo. 

Howells apelou à prefeitura de Newport, prometendo doar 25% do valor para um fundo de combate à pandemia de Covid-19. Nada feito. A essa altura da história, o caso dele já tinha ficado famoso. Durante a pandemia, os bitcoins gravados no disco chegaram a valer US$ 533 milhões. Howells apresentou um projeto de escavação que custaria US$ 5 milhões – pagos por ele e por dois investidores, que aceitaram participar em troca de uma parte do dinheiro. Mas nem assim obteve permissão para procurar o bendito HD. 

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Ele voltou a minerar criptomoedas, mas nunca conseguiu chegar nem perto do que tinha: conforme aumenta a quantidade de bitcoin já minerado, vai ficando cada vez mais difícil minerar mais. Hoje minerar milhares de bitcoins, como Howells conseguiu fazer nos primórdios dessa criptomoeda, exigiria uma bateria de servidores com alto poder de processamento e levaria muito tempo. 

É uma característica auto-limitante embutida no sistema (90% dos 21 milhões de bitcoins possíveis já foram minerados, mas os 10% restantes deverão levar 100 anos). Howells continua tentando convencer as autoridades da cidade a permitir a escavação, na esperança de que um dia seu disco seja encontrado e funcione. É uma esperança remota – mas que certamente vale US$ 350 milhões.

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