PREÇO BAIXOU! Revista Impressa + Digital Premium a partir de R$ 10,99/mês. Corre e assine agora!
Imagem Blog

Bruno Garattoni

Por Bruno Garattoni Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Vencedor de 15 prêmios de Jornalismo. Editor da Super.

Variante “IHU”, descoberta na França, não é mais contagiosa que a Ômicron – e também não é nova

B.1.640.2 tem ao todo 83 alterações genéticas, sendo 46 mutações e 37 supressões de nucleotídeos; número assusta e ganhou manchetes da imprensa, mas sozinho não significa nada; variante existe desde o começo de dezembro, e até hoje não foi capaz de competir com a Ômicron 

Por Bruno Garattoni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 jan 2022, 14h20 | Atualizado em 6 set 2024, 10h31
Variante “IHU”, descoberta na França, não é mais contagiosa que a Ômicron – e também não é nova Priorizar nos meus resultados Google

B.1.640.2 tem ao todo 83 alterações genéticas, sendo 46 mutações e 37 supressões de nucleotídeos; número assusta e ganhou manchetes da imprensa, mas sozinho não significa nada; variante existe desde o começo de dezembro, e não foi capaz de competir com a Ômicron 

Talvez você tenha visto, ou vá começar a ver nos próximos dias, uma série de notícias falando sobre a variante “IHU” do coronavírus, que foi identificada na França e chama a atenção pela grande quantidade de alterações genéticas: nada menos do que 83, sendo 46 mutações e 37 supressões de nucleotídeos (que juntos provocam a troca de 30 aminoácidos e a remoção de 12). 

Ela teria sido detectada em 12 pessoas no sul da França, uma das quais havia retornado recentemente de uma viagem a Camarões. A variante, cujo nome oficial é B.1.640.2, ainda não recebeu uma letra grega – pois não é considerada uma “variante de preocupação” pela OMS. A sigla IHU, pela qual vem sendo chamada, significa Institut Hospitalier Universitaire: é o nome do hospital e centro de pesquisas em Marselha onde ela foi identificada. 

Ele é dirigido pelo médico Didier Raoult, que em 2020 ficou conhecido por sua polêmica defesa da cloroquina. Os resultados supostamente obtidos por Raoult com o medicamento nunca foram replicados, e ele se envolveu em suspeitas de falsificação de dados.

Continua após a publicidade

Apesar desse pedigree questionável, a variante IHU de fato existe. Mas pode não ser a ameaça que as manchetes mais alarmistas sugerem. Em primeiro lugar, o número de mutações/supressões em si não significa nada. Ter mais alterações genéticas não é necessariamente uma vantagem para o vírus; o que importa é a ação de cada uma delas e o resultado conjunto.

Além disso, a IHU não é nova. Ela foi denominada no começo de dezembro, e é uma sublinhagem da variante B.1.640, identificada em setembro (o que é novo é o artigo científico que a descreve, publicado dia 29 de dezembro). Isso significa que as duas variantes, IHU e Ômicron, coexistiram por pelo menos um mês (a Ômicron foi descoberta em 25 de novembro). 

Continua após a publicidade

Durante esse período, enquanto a Ômicron ganhava o mundo – ela já responde por 95% dos novos casos de Covid nos EUA, e caminha para se tornar dominante em todos os outros países -, a IHU não conseguiu se espalhar de forma significativa. Portanto, não há indícios de que seja mais contagiosa do que a outra; pelo contrário. 

Continua após a publicidade

Isso não significa, necessariamente, que a IHU seja irrelevante e esteja fadada ao desaparecimento. Ela pode vir a se espalhar mais amplamente no futuro (a variante Delta, por exemplo, teve um longo período quase totalmente restrita à Índia antes de se tornar dominante no mundo). Mas não é a ameaça clara e imediata que o noticiário mais superficial pode dar a entender. 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional verde-escuro com texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo uma página de notícias e um ícone de árvore verde-claroMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo O mês é do cliente. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).