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Conheça “Los Rosales”, premiado curta pós-apocaliptico de realizador mineiro

Por Jessica Soares Atualizado em 21 dez 2016, 08h50 - Publicado em 29 Maio 2015, 15h10

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Em um mundo pós-apocalíptico, um robô solitário trabalha diariamente em uma fábrica isolada; entre rodas e engrenagens, sua rotina repetitiva e mecânica produz sempre uma rosa – seu meio de sobrevivência e único elemento natural em um cenário de desolação. O robozinho segue vivendo seus dias absolutamente iguais até que um defeito na aprisionadora maquinaria faz com que tenha que enfrentar o medo do desconhecido. Essa é a premissa de Los Rosales, curta-metragem de Daniel Ferreira.

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A produção – que ganhou o prêmio de melhor animação no Palm Springs International ShortFest, maior festival de curta-metragem da América do Norte e, no Brasil, recebeu o prêmio de melhor filme no FestcineAmazonia e menção honrosa na 13ª edição da Mumia – Mostra Udigrudi Mundial de Animação, realizada em Belo Horizonte – é o primeiro filme em stop-motion do realizador mineiro.

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Daniel, que sempre gostou de ensaiar desenhos e buscava inspiração no trabalho de artistas como Chris Sickels, Dave Mckean, Tim Burton e Shaun Tan para criar seu próprio traço, foi trabalhar no Fabrica, centro de pesquisa em comunicação da United Colours of Benetton, na Itália, depois de se formar em Publicidade e Propaganda na PUC Minas. Trabalhando há mais de um ano com produção de comerciais, Daniel decidiu colocar em prática o seu desejo crescente de desenvolver um trabalho autoral. “Sempre gostei de animação e principalmente de trabalhos manuais pela riqueza de detalhes – me intrigava como os personagens ganhavam vida no stop motion e a magia que era uma obra de ficção, criar realidades impossíveis”, o artista contou à SUPER.

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Daniel começou então uma pesquisa intensa sobre cenários, iluminação, animação e tudo que precisaria para dar vida à história que vinha formulando e que ecoava seus próprios medos de passar a vida desenvolvendo atividades mecânicas. Depois de um mês dedicado a planejamento, storyboards e desenvolvimento da história, Daniel passou três meses desenvolvendo o cenário de estética retro futurista steampunk, criado usando papelão e peças de computadores usados. Aprendeu também por conta própria a fazer esculturas de arame trançado de alumínio assistindo a vídeos na internet. Depois foi hora de colocar o robozinho em movimento. Foram sete meses de trabalho diário dedicado à animação em stop-motion – movendo o bonequinho um dedo por vez, produziu um total de 21 mil fotografias que, juntas, deram vida ao curta de 9 minutos.

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Se aventurando pela primeira vez na criação de um trabalho desse tipo, Daniel conta que o processo de animação foi desafiador pessoal e profissionalmente. “Era uma mistura de impaciência em alguns momentos, por querer ver a cena pronta logo, e de extrema calma em outros momentos – entender o timing dos movimentos de múltiplos objetos faz nosso cérebro ignorar o mundo ao redor e se concentrar totalmente só naquilo em que estamos fazendo”, conta.

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“Muitas vezes no processo de animação a câmera se movia, ou a bateria acabava, ou eu esbarrava em algo e o cenário todo se movia – pela falta de equipamento e pouca experiência. A partir daí eu tinha duas escolhas: recomeçar a cena do zero (que poderia ter levado quatro dias para ser feita, por exemplo), ou improvisar – que foi o que fiz na maioria das vezes, e isso me ensinou muito a deixar o perfeccionismo de lado e se adaptar”, conta Daniel. Para finalizar o trabalho, o artista contou com a colaboração de Alessandro Favaron na montagem, Geremia Vinattieri no som, e com o colombiano Jhon William Castaño Montoya, colega de Ferreira no Fabrica e que assina a trilha “Los Rosales”, composição que não só dá nome ao filme, como também foi a fonte de inspiração para a ideia de fazer com que uma rosa fosse a fonte de vida de seu personagem.

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Apesar de achar que nem tudo saiu como imaginava inicialmente, o artista belo-horizontino considera o trabalho um sucesso. “Como [o animador escocês] Norman Mclaren diria, a magia da animação não está em cada frame fotografado, mas o que acontece entre eles – e isso fez sim toda a diferença”, afirma.

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