Clique e Assine a partir de R$ 12,90/mês
Oráculo Por aquele cara de Delfos Ser supremo detentor de toda a sabedoria. Envie sua pergunta pelo inbox do Instagram ou para o e-mail maria.costa@abril.com.br.

Dá para ir a pé dos EUA até a Rússia pelo Polo Norte?

Era fisicamente possível até alguns anos atrás. Entenda.

Por Maria Clara Rossini Atualizado em 18 mar 2022, 10h07 - Publicado em 17 mar 2022, 11h50

Não. Os mares ao norte do Alasca e da Sibéria até ficam cobertos de gelo no inverno, mas as correntes marítimas próximas à costa quebram essa crosta em blocos, e enchem o território de partes só com água, onde não dá para caminhar.

Mesmo assim, os dois países são mais próximos do que parecem. Só 88 quilômetros de água separam as porções continentais da Rússia e dos Estados Unidos. Você provavelmente conhece essa região como Estreito de Bering, por onde os primeiros humanos chegaram à América, há 18 mil anos. Naquela época, o nível do mar era tão baixo que os dois territórios ficavam ligados por um tipo de ponte terrestre. Hoje não dá mais para ir a pé quase toda a região está coberta de água.

Acontece que no meio do caminho existem duas ilhas, Diomedes Maior e Diomedes Menor, que facilitariam a travessia. A primeira pertence à Rússia; a segunda, aos EUA. E elas estão divididas por apenas 3,8 quilômetros de oceano.

.
Wikimedia Commons/Creative Commons

É possível avistar o país de Putin sentado em uma cadeira no país de Biden. Durante o inverno, era comum que o mar entre as ilhas congelasse, o que viabilizaria uma trilha a pé ou até patinando.

.

Continua após a publicidade

No entanto, a coordenadora ambiental Opik Ahkinga contou à revista Science, em 2019, que isso não acontece desde 2012 – consequência do aumento de temperaturas na região. O único jeito de atravessar de uma para a outra agora é de barco, avião ou helicóptero. 

Em Diomedes Menor, a ilha americana, há um vilarejo inuíte onde moram 83 pessoas, segundo o censo de 2020. Diomedes Maior, a russa, não é habitada de forma permanente. Há apenas bases militares, que observam a fronteira.

Inclusive, é por isso que você não conseguiria atravessar tranquilamente de um lado para o outro (mesmo que houvesse um rinque de patinação ligando as ilhas). Não há postos de imigração por lá. Se um morador de Diomedes Menor quisesse fazer um tour pela ilha gêmea, precisaria voar para outro estado dos EUA, e então pegar um voo para Moscou ou outra cidade russa com aeroporto internacional. Só depois conseguiria ir até a Sibéria e, finalmente, Diomedes Maior. Uma volta e tanto.

Ou seja, se, em tempos de paz, você decidir ir de um país para o outro, o Estreito de Bering certamente não é mais a melhor rota – como um dia foi para nossos antepassados. 

Compartilhe essa matéria via:

Fonte: Jefferson Cardia Simões, líder científico do Programa Antártico Brasileiro

Pergunta de @rafael_ol98, via Instagram

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Transforme sua curiosidade em conhecimento. Assine a Super e continue lendo

Impressa + Digital

Plano completo da Super! Acesso aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias e revista no app.

Acesso ilimitado ao Site da SUPER, com conteúdos exclusivos e atualizados diariamente.

Receba mensalmente a SUPER impressa mais acesso imediato às edições digitais no App SUPER, para celular e tablet.

a partir de R$ 19,90/mês

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos no site e ter acesso a edição digital no app.

Acesso ilimitado ao Site da SUPER, com conteúdos exclusivos e atualizados diariamente.

App SUPER para celular e tablet, atualizado mensalmente.

a partir de R$ 12,90/mês