COP15 e o poder das massas
Acompanhe a cobertura da COP15, no site do Planeta Sustentável
Thays Prado, de Copenhague
O que não falta em Copenhague e, nem mesmo, dentro do Bella Center, onde acontece a COP15, são manifestações da sociedade civil, comandadas por ONGs com as causas mais inusitadas. Com diferentes graus de sofisticação e criatividade, todos os dias, algumas delas estão pelos corredores gritando por justiça climática.
Hoje, a coisa esquentou dentro do centro de convenções, quando alguns jovens resolveram se sentar no chão, dificultando a passagem de diplomatas, ministros e quaisquer outras pessoas que estivessem por ali, em protesto às negociações que estão para lá de emperradas. Se continuarmos nesse ritmo, não há como sair qualquer acordo minimamente interessante até o final da semana, quando a COP15 chega ao fim.
A polícia tentou impedir os manifestantes, mas a imprensa estava em peso de olho nos meninos e, enquanto os policiais arrastavam o pessoal corredor afora, todo mundo começou a gritar: “The world is watching!” (em português, O mundo está assistindo!). Logo tudo se acalmou.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=7n1urdc4NvY&hl=pt_BR&fs=1&%5D
Aliás, os dinamarqueses parecem bem intolerantes a qualquer coisa que saia das regras sociais claras e rígidas. No último final de semana, 500 ONGs de mais de 160 países se reuniram em frente ao parlamento dinamarquês para fazer pressão sobre os líderes políticos e exigir um acordo decente. 100 mil pessoas compareceram e a multidão marchou até o Bella Center com milhares de faixas e cartazes. Neste dia, teve-se notícia de que mais de 600 manifestantes foram presas por entrar em confronto com a polícia. Também corre o boato de que mais de 200 pessoas tenham sido deportadas desde o início desta COP.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=-xBDSbsErlM&hl=pt_BR&fs=1&%5D
Mas nem sempre as manifestações têm consequências tão ruins. No primeiro dia de evento, por exemplo, um grupo de jovens da campanha TckTckTck entrou na sala em que ocorria uma coletiva de imprensa com o secretário-executivo e a então presidente da COP, levando 10 milhões de assinaturas que pediam pelo sucesso da conferência e a história da garota Leah, das Ilhas Fiji (de quem eu falei no primeiro post desta cobertura).
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=zIbzqiwdWkI&hl=pt_BR&fs=1&%5D
Há manifestações que chegam a ser inocentes, como a desse coral da CAFOD – Catholic Agency for Overseas Development, que parodiou cantigas natalinas com o tema do clima.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=y8sWUB5bgpk&hl=pt_BR&fs=1&%5D
Outras, protestam em causa própria, como essa meia dúzia de jovens que, junto com milhares de outros integrantes de ONGs, não puderam entrar no Bella Center, já que a organização do evento registrou quase o triplo de pessoas em relação à capacidade máxima do local. Entre políticos e jornalistas, sobrou pras ONGs – ou, as ONGs sobraram, melhor dizendo.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=zg1yBWEHhY4&hl=pt_BR&fs=1&%5D
No começo da noite, o WWF também fez a sua manifestação, apagando algumas luzes no centro de Copenhague, no famoso Earth Hour, com direito a shows e até a baladinha de pandas dançando Spice Girls.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=1Sky3yPIRSs&hl=pt&fs=1%5D
Mas será que tudo isso pode gerar um resultado real ao final da COP15? Talvez não… No entanto, como disse Arnold Schwarzenegger, ontem, na conferência, as mudanças começam com as pessoas e só depois, quando elas estão fortalecidas, é que os governos respondem a isso. Não ficaremos esperando por eles.