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Por que é importante conversar sobre sexo com seus filhos

Quanto menos informada sobre sexo for a criança, mais precoce e aleatória será sua iniciação sexual - e, com isso, mais arriscada

Cegonha, correio, repolho, lata de lixo. Uma grande parte dos pais foi criada sob uma educação rígida e não teve a oportunidade de conversar sobre sexo com seus pais. “Por isso, ainda hoje encontram dificuldade para abordar o assunto com naturalidade e acabam reproduzindo essas histórias absurdas e fantasiosas”, diz Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia.

Para ela, não existe idade ideal para contar como as crianças realmente vêm ao mundo. As primeiras perguntas pipocam naturalmente na fase dos “porquês”, lá pelos 3 anos: a razão da diferença anatômica entre meninos e meninas e entre o corpo deles e o de primos mais velhos – e, claro, de onde vêm os bebês. E aí resta ser sincero, respondendo de forma clara, direta e pontual conforme as perguntas forem surgindo. Claro, é preciso adaptar respostas à idade da criança. “Ou seja, não é aconselhável dar uma explicação científica sobre o ato da fecundação”, diz Bombonatto. “Na medida do possível, usar uma alternativa lúdica o mais próxima da realidade da criança pode ajudar no diálogo.” Muitos, por exemplo, explicam que o pai plantou uma sementinha na barriga da mãe – o que não deixa de ser verdade.

E não tem por que ter medo de responder. O diálogo franco e aberto sobre reprodução não vai estimular os filhos a fazer sexo precocemente. Muito pelo contrário. Foi o que descobriu uma pesquisa da Universidade de Montreal com 1 171 adolescentes de 14 a 17 anos. Deles, 45% disseram que obtêm informações sobre sexo com os pais, e 32%, com os amigos. Entre os que mantinham um diálogo aberto com os pais, 18% eram sexualmente ativos. Isso subia para 37% no grupo dos que não tocavam no assunto. “Em outras palavras, quanto mais informada for a criança, melhor ela saberá escolher o momento certo”, diz Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da Faculdade de Medicina da USP. “E, quanto menos informada, mais precoce e aleatória será sua iniciação sexual.”

Quanto mais cegonhas, mais bebês

Estatísticas enganam. Se mal-interpretadas, provam até que cegonhas trazem bebês

Para mostrar o quão mal-interpretadas estatísticas podem ser, o físico britânico Robert Matthews se deu o trabalho de comparar, em 17 países europeus, os dados de observação de pares de cegonhas e o número de nascimentos. Depois, estabeleceu o coeficiente de correlação entre os dois. O resultado foi surpreendente. Países europeus com mais cegonhas têm também mais bebês recém-nascidos.

Primeiro vamos entender o que é coeficiente de correlação. Quando duas variáveis não têm nenhuma correlação, o coeficiente é 0. Quando essa correlação é perfeita, o coeficiente é 1. No caso das cegonhas e dos bebês, o coeficiente foi 0,62. É uma correlação impressionante.

Isso quer dizer que cegonhas e nascimento têm alguma relação de causa? É claro que não. Se tivesse, não haveria nascimentos nas Américas, que ficam fora da rota migratória das cegonhas. A pegadinha está em esquecer um mantra sagrado da estatística: correlação não é relação de causa. Por exemplo, as vendas de peru são maiores em meses quentes do que em frios. Mas isso não significa que o aumento de calor leve ao aumento de vendas de peru. São dados correlacionados porque, por acidente, o Natal cai no verão brasileiro. É o mesmo que acontece com as cegonhas – que não têm nada a ver com o que os pais fazem.

Por que ela?

A lenda das cegonhas já fazia parte do folclore nórdico, mas só foi popularizada no século 19 num conto de Hans Christian Andersen, o mesmo autor de O Patinho Feio. Saiba por que foram elas as eleitas para trazer bebês.

– Em cidades nórdicas, elas adaptaram seus ninhos aos telhados e chaminés de casas. Para mandar o infante buraco abaixo, bastou um empurrãozinho da imaginação.

– Elas são grandes, com uma envergadura de até 2 metros. Já uma pomba qualquer não seria capaz de tamanha empreitada.

– São aves migratórias, o que permitiria trazerem os bebês de uma terra distante (algo como um tráfico internacional de bebês).

– Têm comportamento altruísta e cuidam de seus filhotes mesmo depois de eles terem aprendido a voar.