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A firma tá em clima de romance

Sem tempo para sair e conhecer um par fora do trabalho, cada vez mais pessoas têm um caso no escritório

Texto Jeanne Callegari

Se você nunca teve um caso com alguém do trabalho, com certeza conhece alguém que teve. De acordo com uma pesquisa da consultoria americana Vault, especializada em carreira, cerca de 58% dos americanos admitiram já ter se envolvido com um colega de trabalho, em 2008. O número, aliás, subiu: é 12% mais alto do que em 2003. Na Inglaterra, a proporção é parecida: cerca de 60%, segundo levantamento do site de recursos humanos MonsterUK. Antes uma prática proibida e velada, agora o romance no trabalho é cada vez mais aberto e aceito.

Grande parte desses namoros acaba virando coisa séria: 60% dos profissionais de RH disseram que romances em seu local de trabalho resultaram em casamentos. Os dados são do instituto SHRM (Society for Human Resources Management, ou “Sociedade para Gerenciamento de RH”). E, segundo a pesquisa da Vault, 24% dos entrevistados disseram ter conhecido o marido ou a esposa no trabalho.

Várias razões ajudam a explicar a estatística. A primeira, claro, é que o número de horas trabalhadas tem aumentado cada vez mais. Se as pessoas passam 50 horas por semana no escritório, onde mais elas vão poder conhecer alguém? A outra é o aumento do número de solteiros no mercado. Eles já são 44% da força de trabalho, segundo o Bureau de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos. Isso significa que quase metade dos funcionários está disponível para um flerte aqui e ali.

Mas isso não quer dizer que apenas os solteiros estejam se divertindo. Na pesquisa da Vault, 48% das pessoas afirmaram saber de pelo menos um colega de trabalho casado que estava tendo um caso no escritório. Mesmo com números tão expressivos, cerca de 70% das empresas não têm uma política específica para lidar com esses romances, segundo a SHRM. Talvez seja uma atitude sábia: é difícil controlar o incontrolável.

Fingir que está doente pra ficar em casa é uma atitude comum, mas prejudicial às empresas. Um estudo da consultoria britânica CBI mostrou que a economia de lá perde 13 bilhões de libras (R$ 50 bilhões) em faltas por doença por ano. Como 73% dos ditos doentes emendam a folga com o fim de semana, fica no ar a suspeita…