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A maioria das pessoas não quer saber o futuro

Estudo mostra que odiamos spoilers mesmo: ninguém quer saber quando vai morrer, e nem mesmo o que vai ganhar de presente no Natal.

Se fosse possível prever como vai ser sua vida daqui a 10, 20 ou 30 anos, você iria querer saber? Se a sua resposta é “sim”, você não faz parte da grande maioria das pessoas. É o que diz uma pesquisa, realizada por pesquisadores da Universidade de Granada, na Espanha, e do Max Planck Institute for Human Development, na Alemanha.

O estudo, publicado pela American Psychological Association, analisou mais de 2 mil pessoas em entrevistas realizadas pessoalmente. O resultado mostrou que entre 85 e 90% dos participantes não querem saber de eventos futuros negativos, como a morte ou o término de um relacionamento – o que é bem compreensível, certo?

O mais surpreendente é que entre 40 e 70% das pessoas também não querem nem a previsão de coisas positivas, como o presente que vai ganhar de Natal, o sexo de um possível bebê e até o resultado de um jogo de futebol. Apenas 1% disse que gostaria de saber como seria o seu futuro – independente se fosse bom ou ruim.

“Em nosso estudo, descobrimos que as pessoas preferem recusar as previsões – como no caso de Cassandra, da Grécia Antiga -, para não sofrer antecipadamente e, também, porque querem sentir prazer com as surpresas do futuro, explicou Gerd Gigerenzer, do Max Planck Institute, à revista Psychological Review. O pesquisador cita o mito grego de Cassandra, que foi amaldiçoada por Apolo. Apesar de poder ver o futuro com precisão, ninguém acreditava em suas profecias – entre elas, a destruição de Tróia.

O estudo também indica que mesmo as pessoas mais velhas não estão interessadas em saber se há vida após a morte, como elas irão morrer ou quanto tempo ainda têm de vida. “Não querer saber parece contraintuitivo, mas a pesquisa mostra que a ignorância deliberada é um estado de espírito generalizado”, disse o autor da pesquisa.

Gigerenzer alerta que, com os avanços da medicina, está cada vez mais difícil ignorar o futuro. “Querer saber é uma condição natural da humanidade. As pessoas não são apenas convidadas, mas são obrigadas a passar por inúmeros exames de saúde para detectar precocemente uma doença”, afirmou Gigerenzer.