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Como agem os piratas modernos?

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h51 - Publicado em 22 jan 2011, 22h00

Alexandre Rodrigues

Desde novembro de 2008, o navio saudita Sirius Star estava em poder de piratas somalis, que cruzaram 1 000 quilômetros até a costa do Quênia para sequestrá-lo — eles nunca haviam ido tão longe nem pegado algo tão grande. Apenas em 9 de janeiro o navio, sua carga de US$ 100 milhões em petróleo e seus 25 tripulantes foram libertados – o resgate caiu literalmente de paraquedas.

A captura dos navios é relativamente simples; mas o que faz a pirataria ser tão popular na Somália é o fato de aquele ser um Estado falido. Na anarquia, é possível sequestrar barcos e manter prisioneiros na boa e ainda pagar de bacana.

Em um país onde metade do povo sobrevive de doações da ONU e cuja expectativa de vida é de 46 anos, a grana da pirataria atrai centenas de jovens. Por enquanto, estão se dando bem.

Águas perigosas
Entenda como os corsários somalis capturam navios como o Sirius Star

1. A reboque
Para chegar ao alto-mar, onde navegam as grandes embarcações, os piratas usam rebocadores, que trazem junto 2 ou 3 lanchas. Próximo do alvo, as lanchas lotadas de piratas se desprendem e tem início o sequestro.

2. Alto calibre
O procedimento-padrão é chegar ameaçando usar bazucas e granadas para danificar o navio ou, no caso de um petroleiro, mandar tudo pelos ares. Para intimidar a tripulação, além dos tradicionais machetes e facões, há fuzis AK-47.

3. Tentativa e erro
O ataque nem sempre dá certo. Em 2008, foram 95 tentativas e 39 sequestros. Se o barco não escapar, os piratas sobem a bordo usando cordas com ganchos. Dependendo da altura, até escada resolve.

4. Relaxa e goza
A tripulação não costuma reagir — a do Sirius Star nem armas tinha. Em 2008, 9 reféns morreram em ataques semelhantes, mas eles costumam ser bem tratados, para acelerar as negociações.

 

Tendência de mercado
Sequestro de navios é a atividade econômica que mais cresce no leste da África

Golpe de mestre
O golfo de Áden, entre o chifre da África e a península Arábica, já está manjado: é na rota principal de escoamento da produção do golfo Pérsico que ocorre a maioria dos ataques. Para pegar o Sirius Star de surpresa, os somalis foram longe, a 830 km da costa do Quênia.

Negócio em expansão
Os ataques saltaram de 31 em 2007 para 95 em 2008. Nos dois primeiros dias de 2009 já foram 4, mesmo com o patrulhamento redobrado na região. Pelo jeito, vai cair mais peixe nessa rede.

 

Quem é quem
Os piratas costumam ter entre 20 e 35 anos. São necessários perfis variados para montar uma quadrilha bem-sucedida

Rádio Pirata
Geeks rastreiam mensagens para localizar alvos e manter distância de navios militares.

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Lobos-do-mar
Ex-pescadores lideram as operações, conduzindo rebocadores e lanchas até os cenários de ataque.

Tropa de elite
Mercenários, muitos veteranos da eterna guerra civil da Somália, formam a força de ataque aos navios.

Homem da grana
Os hawaladar, versão local dos banqueiros, financiam o sequestro em troca de parte do resgate.

Erva danada
Enquanto tocaiam suas presas, os piratas mascam khat, uma erva amarga de propriedades estimulantes, proibida em vários países.

 

Portos seguros
Nas cidades piratas, não tem refém faminto nem prostituta triste

O litoral norte somali é pontuado de enclaves piratas. Em Harardere há infraestrutura para gangues e marmita ocidental para os reféns. Em Bosaaso e Eyl, surgem residências luxuosas (para os padrões locais): têm eletricidade. Negociadores circulam com notebooks, chefões em iates, e prostitutas fazem generosos programas de US$ 2 mil.

 

De Áden à Aduana
A ação dos piratas pode pesar no seu bolso

• Após a captura, os donos do barco e da carga são contatados. A negociação pode durar meses.

• O resgate é pago, liberando reféns e navios. Mas isso financia novos ataques.

• Mais navios vigiam a região, repleta de piratas cada vez mais ricos e perigosos.

• Quem insiste na rota paga mais seguro, e quem busca outras, mais frete. O custo é repassado à carga, e todos acabam pagando pelos piratas.

Fontes CIA World Fact Book, Escritório Marítimo Internacional, Organização Marítima Internacional, FAO, New York Times, The Guardian, BBC, Der Spiegel.

 

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