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Consumo de frutas desenvolveu o cérebro de macacos

Tamanho cerebral das espécies frugívoras é, em média, 25% maior que de outros primatas

Por Guilherme Eler
31 mar 2017, 19h31

Os primatas possuem os maiores cérebros entre os mamíferos, se considerarmos o tamanho médio de seu corpo. E isso explica sua capacidade de realizar funções complexas, como utilizar ferramentas, entender respostas sociais e manter relações de grupo. No entanto, essa característica não se relaciona com estímulos sociais, mas sim com a dieta que eles mantém – mais precisamente com a quantidade de frutas que consomem.

O estudo foi publicado na revista científica Nature, e promoveu a análise do cérebro de 140 tipos de primatas, entre eles espécies de macacos, chimpanzés e lêmures. Essa variedade permitiu que fossem considerados fatores como o tamanho do corpo, dieta e comportamento – se vivem isolados ou em bando, se mantêm relações mono ou poligâmicas, se têm grupos grandes ou pequenos. Os resultados apontaram que os macacos que mantêm um maior consumo de frutas apresentam em média, cérebro 25% maior do que os primos de mesmo tamanho corporal, mas que se alimentam essencialmente de folhas.

Segundo os cientistas, as explicações para essa diferença de desenvolvimento são duas: o maior valor nutritivo das frutas, e sua disponibilidade na natureza. Ao serem obrigadas a se lançar à procura de alimento, as espécies frugívoras estão desenvolvendo também seu senso de orientação espacial e habilidades motoras para encontrar as frutas – ou um bom substituto para elas, caso nada que agrade o paladar esteja disponível. As folhas, no entanto, além de proverem menor quantidade de energia, demandam maior tempo de digestão, e portanto, um “esgotamento” cerebral maior. Os exclusivamente herbívoros, por conta disso, teriam cérebro menor em comparação aos demais macacos.

As espécies onívoras, por sua vez, estariam no meio termo: o consumo de proteína animal melhora sua capacidade cerebral, mas esta ainda é menor do que das espécies que comem frutas. Para Alexandra DeCasien, uma dos autoras do estudo, uma hipótese é que a dieta onívora de primatas (como os lêmures) costuma ser composta essencialmente por insetos, “normalmente abundantes e facilmente capturáveis”, disse em entrevista à NPR.

 

A descoberta do grupo apresenta argumentos que contrariam uma teoria comumente considerada no estudo dos primatas. Pesquisas anteriores classificaram o desenvolvimento cerebral como fruto de respostas a “pressões sociais”. Isso significa assumir que o cérebro dos primatas acompanharia o tamanho de seus grupos, e da complexidade das relações mantidas por eles. No entanto, esse desenvolvimento não seria possível sem a presença de uma dieta que o propiciasse – o que tira o peso de hipóteses que considerem exclusivamente o comportamento social.

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