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Corrupção compensa – e dá lucro de 1000%

Estudo que analisou 166 casos de suborno em 52 países comprova: empresas que dão propina a políticos recebem de volta 10 vezes o dinheiro em vantagens ilegais

Por Anna Carolina Rodrigues Atualizado em 31 out 2016, 18h47 - Publicado em 19 nov 2012, 22h00

Pagar propina vale a pena. Essa é a triste constatação de um estudo da Universidade de Cambridge, que analisou 166 casos de corrupção ocorridos em 52 países nas últimas três decadas. O esquema era sempre o mesmo: uma empresa subornou políticos ou funcionários públicos para obter vantagens ilegais, como burlar uma licitação ou fechar um contrato irregular. E em todos os casos, deu certo – a empresa que pagou propina obteve um retorno financeiro equivalente a 1000% do dinheiro que “investiu” na corrupção.

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Entre os casos estudados pelos pesquisadores, a ocorrência de suborno foi maior nos países mais pobres, onde a Justiça e as instituições são mais fracas. Segundo o estudo, o valor pago muda de acordo com o cargo da pessoa cuja mão foi molhada. Quanto mais importante a pessoa é, mais cara também – funcionários de baixo escalão recebem em média 1,2% do valor do contrato em propina, contra 4,7% pagos a chefes de Estado. As empresas de construção são as que mais corrompem os políticos: são responsáveis por 27,7% dos casos de suborno. Todos os casos estudados pelos pesquisadores são escândalos que chegaram ao conhecimento da população – e, em vários deles, as empresas corruptoras foram processadas. Mas isso não foi suficiente para conter a prática. “O risco de ser apanhado e condenado não é tão grande o suficiente para impedir as empresas de subornar”, diz o professor Raghavendra Rau, autor do estudo.

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