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Divina Comédia

Por Redação Superinteressante Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 jul 2005, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h45
  • Dante Alighieri

    NOME ORIGINAL_Commedia (Itália)
    EDIÇÃO NO BRASIL_ Editora 34; 1998

    DO QUE TRATA

    Guiado primeiro pelo pagão Virgílio e depois por Beatriz, o poeta – que se encontra numa “selva escura” após ter perdido o caminho certo – visita os círculos infernais e celestiais onde estão dezenas de personagens da história. Virgílio, autor da Eneida, personifica a fusão do modelo cristão com a Antigüidade clássica. A jovem Beatriz, por quem Dante nutriu um amor platônico, é a Beatitude, “elevada de uma imagem de desejo a uma condição angelical”, como escreve o crítico Harold Bloom.

    Dante conhece sua amada Beatriz aos 9 anos de idade e a reencontra aos 18, exatamente 9 anos depois. O número 9 é o símbolo da perfeição, o múltiplo perfeito da Trindade Cristã, e o 3 está na base da construção da grande obra dantesca: a Divina Comédia é dividida em 3 partes, cada uma composta de 33 cantos (mais um canto introdutório, perfazendo 100), o inferno é composto de 9 círculos, etc. Considerado um mestre da inovação, Dante usa todos os dialetos de seu tempo, tendo como base o toscano (que deu origem à língua italiana).

    QUEM ESCREVEU

    Dante (1265-1321) nasceu em Florença e teve ampla formação cultural e teológica. Ativo na vida pública, recusa a lógica do lucro da nascente burguesia. Monarquista e cristão, defende uma reciprocidade de funções entre Império e Igreja – ao imperador cabe o total poder secular; ao papa, o espiritual. Foi condenado ao exílio em 1302 com a vitória de seus inimigos políticos, apoiados pelo papado. É fora de Florença que ele compõe a Comédia. Morre pouco depois de concluir o Paraíso.

    POR QUE MUDOU A HUMANIDADE

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    A obra de Dante funda a língua e a literatura italianas e está no centro do cânone da literatura ocidental, influenciando autores de todo o mundo até nossos dias, de T. S. Eliot a Carlos Drummond de Andrade. A viagem que empreende é uma alegoria do mundo terreno, ordenado com excepcional perfeição, como verdade universal, baseada na religião cristã e na ética. Nela, faz convergirem os aspectos sociais, filosófi cos, religiosos, políticos e artísticos da Idade Média e do surgimento do humanismo, um dos pilares da Renascença.

     

    Inferno

    Canto I

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    “No meio do caminho desta vida

    me vi perdido numa selva escura,

    solitário, sem sol e sem saída

    Ah, como armar no ar uma figura

    dessa selva selvagem, dura, forte,

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    que, só de eu a pensar, me desfigura?

    É quase tão amargo como a morte;

    mas para expor o bem que eu encontrei,

    outros dados darei da minha sorte.

    Não me recordo ao certo como entrei,

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    tomado de uma sonolência estranha,

    quando a vera vereda abandonei.

    Sei que cheguei ao pé de uma montanha,

    lá onde aquele vale se extinguia,

    que me deixara em solidão tamanha,

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    e vi que o ombro do monte aparecia

    vestido já dos raios do planeta

    que a toda gente pela estrada guia

    Então a angústia se calou, secreta,

    lá no lago do peito onde imergira

    a noite que tomou minha alma inquieta;

    e como o náufrago, depois que aspira

    o ar, abraçado à areia, redivivo,

    vira-se ao mar e longamente mira,

    o meu ânimo, ainda fugitivo,

    voltou a contemplar aquele espaço

    que nunca ultrapassou um homem vivo.”

    (Tradução de Augusto de Campos)

    O francês Gustave Doré é considerado o maior ilustrador da obra de Dante depois de Botticelli. Em 1861, publicou seus desenhos da Divina Comédia, cuja edição teve de ser financiada por ele. Foi um enorme sucesso, e Doré ganhou fama mundial.

     

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