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Dois séculos de arquitetura biológica

Em quanto tempo a floresta de Roraima poderá se recuperar, depois do incêndio de março passado?

Uns 200 anos. Se não houver outro desastre. Antes de mais nada, as plantas, arbustos e árvores pequenas precisam crescer até cobrir o chão e fazer sombra para as sementes das árvores maiores germinarem. “Essas primeiras espécies, de pequeno porte, são as chamadas pioneiras”, diz o engenheiro florestal Paulo Graça, do Instituto Nacional de Pes-quisas Amazônicas (Impa), em Manaus. Como o fogo queimou todas as sementes do solo, esse início do reflorestamento vai depender de as aves e roedores trazerem outras. A sombra das pioneiras protege do sol as mudas de árvores que depois serão grandes, como o mogno e a castanheira, que levam até setenta anos para crescer. No que se refere às plantas, a recuperação da floresta se completa em 100 anos. Mas, aí, é preciso outro século para os animais voltarem a morar lá. A vanguarda zoológica são os insetos. Atrás deles vêm as aves e os últimos a chegar são os mamíferos.

Devagar e sempre (se ninguém atrapalhar)

Veja as fases de reconstrução da floresta queimada.

Como ficou

O fogo não só queimou as árvores como calcinou todas as sementes caídas no chão.

Daqui a vinte anos

Plantas e arbustos cobrem o solo e protegem do impacto do sol as mudas de árvores que mais tarde serão grandes.

Em 200 anos

Se não houver interferência humana, a floresta de Roraima voltará ao estado original.