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Ecologia Alegre e Divertida para participantes

Aprenda por que é útil defender só as baleias com adesivos pregados no carro

O mecanismo da Natureza, Paul Ehrlich, Ed. Campus, Rio de Janeiro 1993

Se você for capaz de esquecer,por um momento ao menos, que a Mata Atlântica já era, a floresta amazônica vai pelo mesmo rumo, nossos rios são envenenados pelo mercúrio, as baleias, os micos-leões, os tamanduás etc etc etc, vai se divertir muito com esse livro.
Paul Ehalich é o que se pode considerar um sujeito satisfeito com a profissão que escolheu – ecologia, como apareceu nos meios de comunicação que já o tornaram muito popular nos Estados Unidos, ou, com mais rigor acadêmicos, professor de ciências biológicas e professor de ciências da Catedral Bing de Estudos populacionais, tal como consta nos registros da Universidade Stanford. Veja o caso contado logo na primeira linha da introdução, exemplarmente edificante.

Estavam o autor e seus auxiliares no nono ou décimo dia de trabalho sobre uma população de borboletas montanhesas. “o cenário era magnífico: campos de Artemísia salpicadas de flores estendia-se contra um horizonte de picos cobertos de neve, e uma garriça cantava para nós de seu poleiro habitual, num choupo tremedor”. Lirismo de mais para quem está lutando em desvantagem contra a acelerada destruição do meio ambiente? Pois veja a demolidora frase seguinte: “só os insistentes mosquitos impediam que a situação fosse totalmente idílica”. O Tal trabalho consistia em apanhar quantas borboletas fosse possível, selecionar os machos e dividimos em duas categorias: os da parte alta da montanha tinham seus órgãos sexuais mergulhados num pigmento fluorescentes vermelho, seco; os da parte baixa, num pigmento verde. A tinha permanecia nos órgãos sexuais e parte dela seria transferida à fêmeas, submetê-las a uma luz ultravioleta, para saber se haviam se acasalado com os machos da parte alta ou da parte baixa.
Pois estava lá a equipe caçando suas borboletas, bem feliz, quando uma caminhoneta vermelha passou pela estrada parou, e um sorridente morador das redondezas perguntou: “ O que é que vocês estão fazendo?” Falar a verdade inteira, “estamos aqui tingidas os órgãos sexuais das borboletas machos para ver com que se acasalam” , nem pensar, claro. A saída foi por uma meia verdade: “ Trabalhar para o governo em pragas das montanhas”. Como na frase de lagartas as borboletas comem vorazmente, podiam com alguma boa vontade ser enquadrada na categoria das pragas.
Enrlich, de qualquer forma, declara-se constrangido por nem sempre poder falar aberta e claramente de seu trabalho, fugindo à suas responsabilidade de educador. Daí a decisão de escrever O mecanismo da natureza, embalado por duas certezas básicas: nada é mais importante para os seres humanos, hoje, do que compreender como funciona a natureza; nenhuma ciência, nenhum aspecto da cultura humana, é mais importante do que a ecologia, o estudo da interação entre organismos e seu ambiente físicos. Outros princípios por ele arrolados como muito importante: os ensinamentos da ecologia são acessíveis a qualquer pessoa inteligente e disposta a um pequeno esforço para aprender; esse conhecimento modificara, de maneira definitiva, a visão que o leitor tem do mundo.
Mãos à obra, pois. O livro tem apenas 320 páginas, é fácil de ler, instrutivo e divertido. Você vai ficar sabendo por que é inútil pregar adesivos no vidro do automóvel defendendo as baleis ou chimpanzés, sozinhos; e porque, ao contrario, é absolutamente indispensável defender cada minhoca, besouro, verme ou planta de cada ecossistema se, ao cabo, desejamos salvar baleis e chimpanzés, de quebra, nós próprios, humanos. Não ria desdenhosamente dessas grandiloqüências. Isso é coisa de quem ainda vai muito longe e, só para você ter uma idéia, em junho passado realizou-se uma conferencia científica ordinária na Universidade de Estadual do Arizona, nos Estados Unidos. A severa revista Science, editadas pela Associação Americana para Desenvolvimento da Ciência, observou em seus registros que “ordinário” era a palavra menos indicada para caracterizar a dita conferência.

Não foi apresentado um amplo, minucioso plano de remanejamento de todas as terras dos Estados Unidos, dividindo-as em reservas para os humanos. As reservas para a vida selvagem e reservas seriam interligados por extensos corredores igualmente preservados, por onde circulariam os bichos de um território para o outro, a salvo de contatos inconvenientes com nosso semelhantes. Segundo a mesma Science, o plano provocou ohs emocionados na platéia. É claro, vai demorar muito para que sonhos desse tipo e desse porte se tornem realidade. Mas convém você começar a se preparar para os novos tempos, lendo a prosa suave, engraçada e cheia de informações surpreendentes de Ehrlich.