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Ele vai quebrar a barreira do som

O austríaco Felix Baumgartner vai entrar em um balão, subir a 36 km de altura e... saltar no vazio. Cairá a mais de 1 100 km/h, a velocidade do som. É algo inédito: a barreira do som tem sido quebrada desde 1947, mas só por pilotos protegidos dentro de jatos. Baumgartner, que já saltou de bungee jump do Cristo Redentor, terá apenas um traje especial.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h49 - Publicado em 24 jun 2010, 22h00

Salvador Nogueira

Como será o momento da quebra da barreira do som?
É uma grande pergunta. Nos preparamos muito para o salto, e a única questão para a qual não temos resposta é essa. Estamos diante de um grande desconhecido, porque é impossível saber. Mas há muita fé de que tudo correrá bem. Não tem como eu morrer se só uma coisa der errado. Só muitas falhas ao mesmo tempo causariam um acidente fatal.

Como você se preparou para saltar da estratosfera?
Em primeiro lugar, é preciso mudar o jeito de pensar. Se você olhar para o meu histórico, como bungee-jumper, eu dependia muito do meu próprio desempenho. E para saltar da estratosfera eu preciso contar com o trabalho de uma equipe, porque o potencial para falha é grande. Nos últimos 6 meses eu gastei bastante tempo lendo, aprendendo, para poder me tornar um especialista no assunto. Agora eu falo a mesma língua que os especialistas. E consigo acompanhar o que eles discutem, o que é importante.

Que ferramentas você terá?
É preciso ter o equipamento certo. Como o traje, que vai me manter aquecido e fornecer pressão. Isso é importante. Quando você passa de 65 mil pés de altitude, a falta de pressão começa a fazer a água de seu corpo evaporar. Então meu traje é parecido com o de um astronauta mesmo. Mas tivemos que fazer grandes modificações, principalmente nas juntas, para rotação dos braços e movimentos das pernas, porque os astronautas passam a maior parte do tempo sentados, e eu ficarei estendido. Já o paraquedas que eu vou usar é basicamente um modelo comum mesmo.

Qual será a principal preocupação lá em cima?
A temperatura. Vou subir de balão dentro de uma cápsula. Não estará quente lá dentro, mas vou ficar exposto a um ambiente muito mais frio assim que abrir a porta. O traje terá aquecimento para me proteger. O problema é que aí teremos uma segunda preocupação: tomar cuidado para que ele não aqueça demais. Como a atmosfera é muito rarefeita, o calor não se dissipa com facilidade e há o risco de superaquecimento. Ainda temos que trabalhar em vários detalhes como esses para garantir que tudo dê certo lá em cima.

E na hora de saltar?
Aí a altitude é decisiva. A 120 mil pés [36 mil metros], o ar é tão rarefeito que permite que você atinja a velocidade do som durante a queda. Se formos muito mais alto, acabaremos ultrapassando essa velocidade, passando de Mach 1,2 [ou 1,2 vez a velocidade do som]. Isso poderia trazer muitos outros problemas. A aerodinâmica a que seu corpo é submetido muda completamente em velocidades maiores que essa.

Você estará em queda por mais de 5 minutos. Em algum momento, cair fica tedioso?
Não, é empolgante. Amo o que faço. A cada tentativa bem-sucedida, ganho muita energia e confiança de que posso fazer ainda melhor. É muito bom ver o mundo lá de cima.

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