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Emojis estão virando uma nova linguagem

Quando você troca o "eu te amo" por um ❤ alguma coisa está acontecendo. Não, não é descaso seu: é a língua que está ganhando novos mecanismos na era digital.

Epa… Você mandou aquela mensagem para a pessoa errada. E agora? Tá, calma. Mande wink – demonstrando sarcasmo. Se a pessoa entender errado, mande aquele macaquinho tapando a boca, como quem diz “cara, foi mal”. E se as coisas ainda não ficarem ok, mande um ET sem sentido algum e siga a vida.

Se essa situação soa familiar, saiba que você não está sozinho. Para 92% dos usuários das redes sociais, a escolha do emoji perfeito é uma etapa indispensável na comunicação em rede – o que mostra que as carinhas amarelas, os corações e os macaquinhos estão ganhando uma função muito maior do que a mera decoração: os emojis estão, aos poucos, se transformando em uma forma de linguagem popular e quase independente de idiomas.

Nos últimos dois anos, o linguista Tyler Schnoebelen tem estudado o uso dos simbolozinhos em milhões de postagens nas redes sociais, e descobriu algumas coisas interessantes. Para começar, ele percebeu que existe uma “gramática” própria do uso dos ícones – uma série de regras práticas que tornam a mensagem formada por texto e emojis compreensível.

Por exemplo: as pessoas costumam usar os ícones sempre no fim das frases e raramente postam só emojis – eles sempre aparecem em um determinado contexto. Além disso, com o tempo, os ícones ganham significados diferentes, exatamente como acontece com o idioma. Para explicar isso, o linguista cita o emoji de caveirinha, que nos últimos dois anos apareceu 11 vezes mais em postagens sobre telefones sem bateria do que em posts dizendo “estou cansado”. 

Para Schnoebelen, os emojis não estão apenas se tornando uma forma alternativa de escrever: eles são marcadores de contexto, do tom de voz e do humor do interlocutor, além de ter o importante papel de traduzir para a escrita aquilo que as pessoas estão sentindo ao digitar. Analisando os ícones mais usados nos posts, o linguista percebeu que os 20 principais são os que indicam emoções – carinhas expressivas, mãos dando tchauzinho, corações. Faz sentido: frases como “te vejo mais tarde” ou “depois a gente se fala”, por exemplo, ganham um significado muito diferente quando a pessoa simplesmente coloca uma carinha feliz no final. 

Os emojis são uma linguagem em expansão, mas o especialista não acredita que eles cheguem a substituir o texto. É que conceitos como “solidão”, por exemplo, seriam impossíveis de expressar em carinhas e pixels. Afinal de contas, ninguém vai aprender “emojês” como sua primeira língua (ainda), mas o que é surpreendente para o linguista é como esse novo alfabeto de imagens se combinou com o nosso para melhorar a forma como nos comunicamos – como uma nova gíria ou um novo conjunto de expressões típicos da era digital.

A origem dos emojis
Emojis são uma opção de teclado no seu celular – o que quer dizer que você não precisa mais usar dois pontos e um parêntese fechando para criar um rosto feliz: ele já está lá, é um caractere. Quando o iPhone possibilitou o teclado emoji, em 2011, os ícones viralizaram: hoje quase metade dos posts no Instagram passaram a ter emojis. 

Mas essas pequenas imagens têm uma história longa antes disso. Elas foram criadas no Japão, em 1995, no auge das vendas de pagers. Percebendo como o idioma japonês dependia do contexto para ser bem compreendido, a empresa de telecomunicações Docomo, fabricante de pagers, disponibilizou um caractere de coração para as pessoas usarem junto com o texto. Foi uma febre – principalmente entre os adolescentes. 

Percebendo o sucesso da coisa, a Docomo começou a desenvolver outros ícones simples para marcar o contexto. E foi aí que, baseados nos kanjis japoneses e em desenhos dos mangás, nasceram os emojis – palavra que significa figura (e) e caractere (moji). Os primeiros emojis foram lançados junto com o i-mode, um primeiro ‘smartphone’ que tinha funções como email, previsão do tempo e SMS. E daí, os emojis ganharam o mundo. yes

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