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Filhote da propaganda

Criado há mais de 100 anos, como brinde de uma fábrica de fermento, o Calumet Puzzle ainda é sucesso.

Luiz Dal Monte Neto

A publicidade algumas vezes se traduz num esforço enfartante de um grupo de profissionais talentosos, que investem toda a sua inteligência para achar maneiras de fazer o consumidor economizar a dele. Emoções e apelos aos borbotões, numa festa barulhenta de sons e imagens, tentam pegar os desavisados pelo desejo, raramente pelo raciocínio crítico, ao qual muitos slogans e promessas não resistiriam. Claro que a massa cinzenta precisa ser muito usada na criação e produção das peças publicitárias, mas se torna um tanto inconveniente depois que estão prontas. Por isso, vejo uma certa ironia em quebra-cabeças que servem como apoio para divulgação de algum produto. Houve época em que chegaram a ser comuns. Vinham como brindes e traziam uma mensagem publicitária impressa.

Um exemplo típico é o Calumet Puzzle, pertencente à família dos quebra-cabeças de emparelhamento – à falta de um nome melhor. Nesse tipo de jogo, o problema consiste em arranjar várias peças segundo certo esquema, de modo que os lados que se tocam combinem de uma maneira específica, levando em conta as cores, partes complementares de figuras etc.

Em 1893, E. L. Thurston patenteou a primeira versão desse tipo de quebra-cabeça e a primeira empresa a utilizá-lo foi a Calumet Baking Powder Co., de Chicago, retratando em suas peças os quatro tamanhos de latas do seu fermento. Desde essa época, ele tem reaparecido intermitentemente, aqui e ali, com novas imagens, associado a marcas e produtos diversos.

Às vezes, é possível encontrar versões industrializadas à venda em lojas de brinquedos. Até recentemente, Desafio e Duendes eram as duas versões fabricadas no Brasil que mais se encontravam. A primeira trazia personagens Disney em dois problemas, um triangular, outro quadrado (como o de Thurston). A segunda apresentava formato hexagonal.

É fácil improvisar o Calumet Puzzle em casa.

O leitor pode traçá-lo sobre um pedaço de cartão e usar letras em vez de desenhos. Entretanto, aqueles que tiverem mais tempo e habilidade podem obter nove quadrados de mesmo tamanho, a partir de algum bonito pedaço de madeira, e desenhar figuras em suas margens com um pirógrafo ou gravá-las em silk-screen. Mas existe uma solução intermediária: usar recortes de revistas ou fotos, desde que haja cópias suficientes.

O esquema original de Thurston é o que se vê na figura 1. Comece por dividir o quadrado original em nove quadrados menores, que serão as peças. Depois trace as diagonais de todos eles e ponha em cada triângulo resultante a respectiva letra. Se for usar figuras, lembre-se de que as letras A, B, C e D referem-se a quatro desenhos diferentes. Portanto, mantenha a correspondência: a maiúscula e a minúscula de uma mesma letra indicam a metade superior e inferior do mesmo desenho. Pinte todos os triângulos com A ou a de uma mesma cor. Faça o mesmo, com cores diferentes, para cada uma das outras letras. Finalmente, recorte os nove quadrados.

O esquema da figura 1 é a própria solução, mas não se preocupe com isso, porque, depois de cortadas e embaralhadas as peças, você provavelmente não se lembrará mais dela. Sobretudo se os desenhos iguais (ou letras, ou colagens, conforme a versão do leitor) forem feitos com capricho e estiverem realmente iguais.

Luiz Dal Monte Neto é arquiteto e designer de jogos e brinquedos

Puzzles – Problemas

Sem borracheiro

Um homem vai de automóvel de São Paulo para Salvador. Logo depois de percorrer os primeiros 30 quilômetros, percebe que está com um pneu furado, mas prossegue sem substituí-lo e consegue chegar ao destido normalmente. Como se explica?

Fumacê

Já que não conseguia parar de fumar, Silva decidiu adotar cigarros mais fracos, optando por uma marca com 95% a menos de nicotina. De cabeça e sem demora, quantos cigarros novos ele fuma agora, para inalar nicotina equivalente a um dos antigos?

Sominós

Com as peças de dominó à direita, construa duas somas como as do exemplo logo abaixo, onde as pintas são interpretadas como números (10 + 11 = 21). As seis peças devem ser usadas simultaneamente, isto é, uma peça não pode estar em duas somas ao mesmo tempo. Não valem zeros à esquerda, mas valem outros arranjos das peças, desde que caibam num retângulo 2 X 3 como o do exemplo.

Desembarque

Na nave-mãe há três humanos e três alienígenas, que têm de descer num planeta. Só que na nave para desembarque cabem, no máximo, dois passageiros por vez. E pelo menos um tem de saber pilotá-la. Para complicar as coisas, os alienígenas não são confiáveis e, conseqüentemente, os humanos não devem ficar em menor número que eles, seja na nave-mãe, seja no planeta. Todos sabem pilotar a nave de desembarque, menos dois alienígenas. Como fazer?

Puzzles – Soluções

Sem borracheiro

O pneu furado era o estepe.

Fumacê

Cada novo cigarro supre apenas 5/100 da nicotina a que Silva se habituara. Assim serão necessários

Desembarque

Se chamarmos os humanos de H e os alienígenas de A (usando letra minúscula para aqueles que não sabem pilotar), podemos fazer um desembarque seguro nesta série de idas e vindas: descem Aa; sobe A; descem Aa; sobe A; descem HH; sobem Ha; descem HA; sobem Ha; descem HH; sobe A; descem Aa; sobe A; descem Aa.