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Ideia 4: A extinção dos paraísos fiscais

Todo ano, empresas e milionários do mundo sonegam trilhões de dólares em impostos transferindo seu dinheiro para contas bancárias sigilosas. Os mais prejudicados são países pobres e emergentes

Anna Carolina Rodrigues

Ilhas Cayman / Getty Images

O QUE SÃO?

Paraísos fiscais oferecem sigilo bancário e tributação baixa para quem coloca seu dinheiro lá. Passar dinheiro para esses lugares é essencial para lavar dinheiro, porque impede seu rastreamento, caso ele seja fruto de crimes como tráfico e corrupção. Mas o expediente também é usado por empresas e pessoas que não querem pagar imposto. O jogador argentino Lionel Messi, por exemplo, é investigado por sonegar R$ 12 milhões com essa tática.

POR QUE IS É RUIM?
Além de permitir que criminosos lavem dinheiro sujo, eles ajudam os ricos a ficar mais ricos e os pobres, mais pobres. Estima-se, por exemplo, que eles façam a África Subsaariana perder R$ 350 bilhões por ano – é quase o dobro da ajuda humanitária global, de cerca de R$ 200 bilhões anuais. Economistas estimam que se a Europa conseguisse evitar a evasão fiscal causada pelos paraísos, o continente não estaria em crise.

ATÉ QUANDO?
Uma coalizão de entidades lançou no ano passado uma campanha para pressionar líderes mundiais a reduzir o sigilo de paraísos fiscias em benefício de países pobres. A ideia é criar regras para um sistema tributário internacional mais transparente, com troca de dados bancários entre os países. Na última reunião do G8, em junho, discutiu-se a ideia, mas nenhuma medida concreta foi tomada.


DINHEIRO EM FUGA

Os dez países de onde mais saiu dinheiro de pessoas físicas rumo a paraísos fiscais, entre 1970 e 2010. O total global chega a US$ 21 trilhões.

1. China: 2689 bilhões
2. Rússia: 1805 bilhões
3. Coreia do Sul: 1761 bilhões
4. Brasil: 1176 bilhões
5. Kuweit: 1122 bilhões
6. México: 943 bilhões
7. Venezuela: 918 bilhões
8. Argentina: 902 bilhões
9. Indonésia: 749 bilhões
10. Arábia Saudita: 697 bilhões