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Macacos percebem quando humanos estão mentindo entre si

E tendem também a ajudar a resolver o mal-entendido, favorecendo quem foi enganado

Por Guilherme Eler 6 abr 2017, 20h18
Macacos percebem quando humanos estão mentindo entre si Priorizar nos meus resultados Google

Driblar a capacidade intelectual dos primatas não é uma tarefa fácil. Isso por conta de seu senso de justiça apurado, que os permite notar, por exemplo, quando estamos sendo antiéticos. Os resultados de uma pesquisa alemã, no entanto, apontam para outra habilidade social complexa: macacos também são capazes de perceber quando tentamos enganar alguém – e tendem a dar uma mãozinha para resolver a injustiça.

Pesquisadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva analisaram um grupo de 34 chimpanzés e orangotangos do Zoológico de Leipzig, na Alemanha. Eles foram ensinados a abrir pequenas caixas para serem submetidos a um experimento social. Posicionados em frente a dois recipientes, um azul e outro amarelo, os macacos assistiam a seguinte cena: um dos pesquisadores pára em frente às caixas e coloca um pequeno objeto laranja dentro de uma delas. Depois disso, ele ou permanece no lugar ou deixa o recinto. Então, entra na sala uma segunda pessoa. Ela toma o objeto e sorrateiramente o deposita na outra caixa.

No momento em que o “dono” do objeto retorna, os macacos têm de decidir qual caixa irão abrir. Nas vezes em que quem guardou o objeto permaneceu na sala, acompanhando a troca de lugar, os primatas eram igualmente inclinados a abrir ambas as caixas. No entanto, quem deixou a sala e, portanto, não havia visto a mudança, era ajudado: em 76,5% das vezes, os macacos escolhiam a caixa correta para abrir.

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Em um segundo teste, um pesquisador entregava o objeto a outro e saía de cena. Cabia a quem permaneceu escolher uma caixa e guardá-lo. Apesar de não encontrar o objeto ao voltar, o “dono” não recebia nenhum tipo de ajuda dos macacos. Eles não se inclinavam para nenhuma das duas caixas, abrindo cada uma, em média, 50% das vezes. Para os autores do estudo, esse comportamento indica que as cobaias não tinham claras as intenções do “dono” do objeto, não entendendo, portanto, se ele tinha sido realmente enganado.

“O estudo mostrou pela primeira vez como os macacos da família dos hominídeos (chimpanzés e orangotangos) podem entender comportamentos falsos e intervir em favor de quem foi prejudicado”, pontuou um dos autores do estudo, David Buttelmann, ao site Phys.org. Essa capacidade dos primatas de julgar a validade de cada situação foi comparada pelos pesquisadores, ao comportamento que bebês humanos com cerca de 18 meses teriam na mesma situação.

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